sexta-feira, agosto 28, 2009

Pontos.

Há vários anos ouço falar da excelência das obras de Norman McLaren, mas apenas recentemente tive o prazer de assistir aos seus curtas-metragem, e fiquei embasbacado com o vanguardismo impresso em sua arte. McLaren era escocês e se fez notório na década de 1930 na Europa, e na década seguinte fez carreira nos EUA e sobretudo Canadá.

Dots, o curta de animação abaixo, é de 1940 e já é produto americano. Lembrando que, neste período a segunda guerra eclodia na Europa, Roosevelt era presidente nos EUA, Jackie Robinson se destacava por ser o primeiro negro a disputar a liga americana de baseball, e, "E o Vento Levou" estourava nos cinemas.


quarta-feira, julho 29, 2009

Cinema de autor?



"Há 7 elementos cruciais na feitura de um filme, por ordem alfabética: o ator, o câmera, o desenhista de produção, o diretor, o montador, o produtor e o roteirista."






"Peter Benchley lê um artigo de jornal sobre um pescador que capturou um tubarão de 2.500Kg na costa de Long Island, e fica se perguntando o que aconteceria se o tubarão achasse ali um bom lugar para morar. Aí vai e escreve um romance sobre o assunto. Zanuck-Brown compram os direitos de filmagem desse livro. Benchley e Carl Gottlieb o transformam num roteiro. Bill Butler é contratado para fazer a fotografia. Joseph Alves Jr., para o desenho de produção; Verna Fields, para a montagem; e, talvez mais importante do que tudo, Bob Mattey é tirado de sua aposentadoria para construir o monstro. E John Williams compõe aquele que talvez seja seu mais memorável score. Bem, em nome de quê Steven Spielberg pode ser o autor do filme? Mas, quando se fala do filme, fal,a-se de 'Tubarão, de Steven Spielberg'."

Este exemplo de como as coisas funcionam no cinema, talvez seja o cerne principal do livro "Adventures in The Screen Trade" (1984), do escritor e roteirista William Goldman. Alguns podem dizer que escreve em nome de uma causa própria, já que ele próprio é uma grande "vítima" da ditatorial Teoria do Autor, alguns exemplos mais notórios: Butch Cassidy, um filme de George Roy Hill; All the president's Men, um filme de Alan J. Pakula; Marathon Man, um filme de John Schlesinger... Embora Goldman seja roteirista de todos e, como é comum no cinema americano, entrou em cada um desses projetos muito antes do diretor sequer ser escolhido, nunca ficou vinculado ao sucesso da obra final.

Goldman relembra uma entrevista de Godard alguns anos antes, onde admite que ele e Truffaut nunca acreditaram de verdade naquela história do autor, e só a inventaram para chamar atenção sobre si próprios e infernizar a vida dos veteranos do cinema francês, cujo lugar pretendiam ocupar (e de fato ocuparam). Por fim, Goldman lamenta a retumbante vitória da teoria do autor pois já há vários anos jão nem se fala mais nela. Não é mais preciso. Para a mídia e para o público, o diretor é o único e verdadeiro autor, mesmo que estreante e solidamente imaturo.

Leitura essencial para apreciadores da arte cinematográfica.

segunda-feira, julho 20, 2009

Caras-pintadas-de-branco

Por IGOR GIELOW

BRASÍLIA - Em agosto de 2005, usei o termo do título acima neste espaço para descrever a metamorfose da UNE em mais uma filial chapa-branca de apoio ao governo Lula. Na época, o Planalto submergia na lama do mensalão.
Passados quase quatro anos, o comportamento da UNE em seu congresso encerrado ontem deu nova dimensão à observação.
Bancados pela Petrobras, os "estudantes" protestaram contra a CPI que visa investigar a estatal.
Na palavra de seus dirigentes, uma coisa nada tem a ver com a outra, o "petróleo é nosso" e afins.
Hoje as verbas federais se igualam à receita das carteirinhas de estudante na composição do cofre da UNE.
Em 2005, disse que a entidade "jogava sua história no lixo" ao apoiar cegamente Lula no mensalão.
Talvez tenha sido generoso.
Se merece análise o seu papel na ditadura, geralmente a UNE é mais associada à campanha pelo impeachment de Fernando Collor em 1992.
O jornal britânico "The Observer" publicou uma ótima reportagem ontem sobre a mitificação ocidental da "revolução" que derrubou o comunismo na Romênia 20 anos atrás.
Nem em Timisoara alguém acredita hoje ter havido tal coisa.
Ceaucescu caiu em um golpe palaciano, e a vida seguiu.
Mas a "revolução" ainda é comemorada.
Da mesma forma, a UNE até hoje diz ter derrubado o presidente em 1992.
Com esse aval, digamos, defende sua importância e a necessidade de ter atendidas demandas, entre um "Fora Yeda" e outro, como a volta de algum controle sobre emissão das carteirinhas.
Sintomaticamente, propostas efetivas para o ensino inexistem.
Collor foi a razão de ser do ressurgimento da UNE depois da ditadura.
Agora, em sinal trocado, Lula assume o posto e consolida o peleguismo da entidade.
Faz mais do que um sentido que os dois antigos adversários se abracem por aí.

Jornal Folha de São Paulo - 20/07/09

quarta-feira, julho 15, 2009

Comércio exterior terá cadastro positivo em dois meses

Brasília.

O governo vai criar, até setembro, uma espécie de cadastro positivo no comércio exterior. Trata-se da figura do Operador Econômico Autorizado (OEA), já existente em Japão, Estados Unidos e União Europeia, que receberá tratamento diferenciado dos chamados órgãos anuentes — Receita Federal e ministérios da Saúde, do Meio Ambiente e da Agricultura, entre outros.
Os benefícios incluem simplificação de procedimentos, despacho mais rápido, redução de prazos e prioridade na emissão de licenças, desde que a firma tenha um histórico de regularidade, esteja em dia com suas obrigações tributárias e siga as normas vigentes. O objetivo é desafogar operações de vendas e compras externas equivalentes a nada menos que 60% do fluxo comercial brasileiro (soma das exportações com as importações), ou US$ 75,5 bilhões de um total de US$ 125,9 bilhões, levando em conta o primeiro semestre deste ano. Isso se as cem maiores empresas exportadoras e importadoras aderirem ao regime. — A burocracia é uma das principais queixas de exportadores, importadores e investidores.
Nossa meta é reduzi-la o máximo possível — disse ao GLOBO a secretária-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Lytha Spíndola. Fiscalizações serão feitas por amostragem Segundo Lytha, a adesão ao cadastro será voluntária. A medida beneficiará exportadores, importadores, depositários, despachantes, agentes, transportadores, armazenadores, enfim, todos aqueles que operam o comércio exterior. — O foco são empresas que exportam e importam com certa regularidade, que não têm qualquer interesse em fraudes e que gostariam de colaborar com os órgãos de governo para que a legislação seja respeitada. Em troca, terão procedimentos mais simplificados, mais rápidos, reduzindo o universo daqueles que têm de passar pelo canal vermelho — disse Lytha.
Ela explicou que o conceito do OEA é aprovado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização Internacional de Aduanas. Lytha afirmou ainda que o mecanismo tem um forte componente de segurança nacional, não apenas pela obediência às normas em vigor e o pagamento de tarifas e impostos, mas pelo cumprimento de regras ambientais, sanitárias, fitossanitárias e de segurança. Basicamente, toda carga que entra ou sai do país, que contenha madeira tanto na embalagem como em sua composição — contêineres, na maior parte —, é vistoriada pelo Ministério da Agricultura.
Se o operador da carga assumir compromissos junto ao governo, assegurando que seu material não contém madeira nãotratada (devido ao risco da mosca asiática), por exemplo, terá o mínimo inspecionado. Mas essa liberação não será imediata. Num primeiro momento, esse operador será monitorado, com a fiscalização por amostragem. — A ideia é dar maior fluidez ao fluxo de comércio exterior, dentro da legalidade. Os operadores assumirão termos de compromisso com os órgãos anuentes.
Em caso de descumprimento, a empresa será imediatamente descredenciada — afirmou Lytha. As vantagens para o sistema são diversas, explicou. O combate às fraudes se torna mais eficaz, porque recursos são liberados, e o foco, direcionado para operações de maior risco. — O risco do operador é que vai prevalecer, e não a atenção para cada carga individualizada — explicou.

Fonte : Jornal “O Globo” – edição de 12/07/2009

terça-feira, julho 14, 2009

Queda da Bastilha, 220 anos.

A Liberdade Guiando o Povo, quadro de Eugéne Delacroix que representa a Revolução Francesa

As Noites Revolucionárias (Le Nuits Révolutionnaires), de Restif de La Bretonne, é um livro de cabeceira para quem quer compreender a fundo como se deu o evento que é reconhecido internacionalmente como a passagem para o mundo contemporâneo. O relato de Restiff, que se auto intitula como o “espectador noturno”, põe em xeque muito do que a história nos apresenta como o panorama geral que marcou a Revolução Francesa. Visceral, pessoal e, ao mesmo tempo, distante, o livro narra como o grosso da população – e aí se incluem boa parte da burguesia francesa – vivenciou este período que foi tão significativo para todo o planeta. Restiff de La Bretonne expõe as rixas pessoais que serviram para dinamizar a corrida das cabeças, as ideologias e bases argumentativas de ambos os lados: tanto as provenientes dos burgueses, quanto as defesas e justificativas da aristocracia. Faz críticas ferrenhas à censura – até então ímpar na França – quanto às publicações que se encontravam em desacordo com a ideologia dominante, e mesmo à mera expressão de uma opinião em caráter privado. Pregando que nem o mais autoritário dos regimes monárquicos fora tão discriminador e fascista quanto a França que então se apresentava sob a égide da Igualdade, Liberdade e Fraternidade, durante o regime de Robespiere. Aliás, o cerne de suas críticas se encontra justamente na hipocrisia representada entre os discursos e as práticas não só da Revolução como de seus membros revolucionários. O medo generalizado da população de se tornar uma pessoa suspeita e ter de enfrentar os suplícios das masmorras – mais cheias do que nunca – por terem expressado um pensamento de nostalgia pela época onde as ruas eram seguras e havia comida nos fogões. Enfim, um relato da Revolução Francesa que teve de esperar muito tempo até que fosse permitido sua publicação – e mantido em sigilo enquanto isso, sob pena da tão temida viúva de todos (genialmente ilustrada por Victor Hugo em seu O Último Dia de um Condenado). Uma história que nos surpreende pela contradição com que confronta a História oficializada pelo mundo liberal capitalista.

quinta-feira, abril 02, 2009

Padrão dólar sob risco?

Recentemente, em ensaio disponível na página eletrônica do Banco Popular da China, o Sr. Zhou Xiaochuan, presidente da instituição, enviou uma mensagem significativa à Washington, ao propor uma reforma radical no sistema monetário internacional, na qual uma moeda global deve ser adotada como padrão de reserva de valor em substituição ao dólar. (ver artigo na The Economist sobre o tema)
A verdadeira e principal preocupação chinesa reside na emissão inorgânica de moeda por parte do FED, ou seja, na farra do boi da massiva impressão de dólares pela autoridade monetária estado-unidense. Bem, quanto maior a oferta de um produto menor o seu valor, e, do ponto de vista americano, gerar liquidez na tentativa de reativar a economia interna, e ter seus produtos com preços mais competitivos para exportação faz algum sentido econômico, agora, para a China que possui 2/3 de suas reservas internacionais atreladas ao dólar , isso representa um enorme prejuízo.
Tecnicamente, a sugestão é que a condição do dólar como divisa mundial, deve ser transferido para o SDR (Special Drawing Rights), uma moeda virtual criada pelo FMI em 1969 que tem seu valor determinado pelo peso médio das principais moedas mundiais: euro, iene, libra esterlina e obviamente o próprio dólar. Acontece que, levaria muitos anos para o SDR ser amplamente aceito como meio de troca e reserva de valor, uma vez que seu saldo total hoje é equivalente à apenas USD 32 bilhões, o que representa menos de 2% das reservas internacionais chinesas que são estimadas em 11 USD Trilhões em títulos do tesouro americano. De maneira que me faz considerar as observações do Sr. Xiaochuan falácias de cunho meramente político.

Popularidade Global.

quarta-feira, março 25, 2009

O veneno da fé.






"As melhores coisas e as melhores pessoas nascem da diferença. Sou contra uma sociedade homogênea porque eu quero que a nata se eleve."





( Robert Frost )







Chega a ser inacreditável o absurdo da temática da estampa da camiseta deste soldado israelense. Segundo consta, como marco do final de treinamento, alguns soldados encomendaram camisetas com cenas e frases de violência contra palestinos. O "modelo" da foto acima mostra uma grávida sob mira e as palavras: "Um tiro, dois mortos".
Apesar das inúmeras barbaridades que nos deparamos cotidianamente, coisas desse tipo ainda me impressionam, e fico me perguntando que tipo de gente é essa? Não basta utilizar crianças como escudo humano, atacar médicos e hospitais, vandalizar propriedades, humilhar pessoas, e efetuar disparos indiscrimanados através de aeronaves não tripuladas (conforme provado em recente relatório da ONU), além de tudo isso ainda se faz necessário o escárnio, a apologia à violência extrema, quais seriam os motivos desse radicalismo israelense? O principal talvez seja de cunho religioso.
Durante as quatro primeiras décadas do Estado de Israel, a maioria das instituições do país, entre elas o exército, eram lideradas por membros dos kibutzim que primavam pela cultura, e viam-se como seculares e ocidentalizados. Nos últimos 20 anos, o exército israelense sofreu uma guinada ao nacionalismo-religioso, com muitos fanáticos (muitos deles vindos dos assentamentos na Cisjordânia) ocupando postos cada vez mais altos na hierarquia militar. E apesar de vivermos uma época de riqueza de informação, paradoxalmente parece haver uma pobreza de atenção, pois a esmagadora maioria das vozes na mídia internacional se cala diante dessa aspecto da ideologia israelense atual, apregoando o caráter obscuro do fanatismo religioso exclusivamente para o lado palestino.
O artigo do ótimo jornalista Christopher Hitchens, An Army of Extremists na revista Slate, aborda exatamente esse aspecto da estratégia militar isralense, e vai além quando questiona o apoio incondicional (político e financeiro) dos EUA a Israel, argumentando o caráter inscontitucional nessa relação, uma vez que um dos aspectos basilares da ideologia da "Land of the Free", é a premissa do Estado laico.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Qualquer semelhança é mera coincidência...ou não.

Já estava bem interessado em assitir ao "Slumdog Millionaire", não apenas pelos quatro Globos de Ouro que o filme ganhou, mas por considerar cada nova realização de Danny Boyle digna de uma atenção mais cuidadosa. O interesse agora é redobrado devido a anunciada semelhança com a obra-prima de Fernando Meireles. Não acredito que "Slumdog" se aproxime da qualidade de "Cidade", mas desde "Trainspotting", Boyle tem toda minha consideração e respeito.



Trailer:



segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Copying Beethoven

Vez outra acontece de termos agradaveis surpresas em despretensiosas sessões na tv a cabo, e foi o que me ocorreu no último final de semana. Era um completo ignorante sobre a diretora polonesa Anieszka Holland e seu ótimo "Copying Beethoven", nem mesmo sabia que ela também dirigiu o sucesso infantil do começo dos anos 90 "The Secret Garden", talvez pelo fato de ser majoritariamente uma diretora dedicada a produções televisivas.

Nesse caso, trata-se de uma exploração ficcionista da vida de Beethoven em seus ultimos meses de vida trabalhando em sua Nona Sinfonia. Ano de 1824, Beethoven, interpretado pelo competente Ed Harris, está correndo contra o tempo para terminar sua nova sinfonia. Seu último sucesso ja tem alguns anos e o compositor se vê acometido pela surdez, solidão e grandes conflitos interiores. A apresentação pública de sua nova obra se aproxima, de forma a se fazer necessário a contratação de um copista para auxiliá-lo a terminar em tempo o trabalho. Diane Kruger interpreta a jovem estudante de conservatório e aspirante a compositora Anna Holtz, que com o passar do tempo se envolve de maneira visceral com o maestro, passando a compreender o sentimento que sua música permeia.

Eis o ponto alto do filme: Com a impossibilidade de reger a orquestra sem perder a noção do tempo, obviamente pela falta da audição, Bethooven segue o ritmo de sua assistente e conduz brilhantemente sua última sinfonia. É uma cena belíssima, e a primeira entrada do coral de vozes feminina é algo de arrepiar, literalmente!



quinta-feira, fevereiro 05, 2009

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Inside Sudan

Em minha área de atuação, o comércio internacional, aprofundar-se no conhecimento das variáveis de cada país é fundamental, e estudando possibilidades comerciais com um país africano, durante algumas pesquisas, encontrei no vbs esse mini-documentário dividido em 5 partes que se mostrou interessantíssimo. A propósito, o site é fantástico!

Dia Mundial do Câncer

A obesidade e o sobrepeso são fatores de risco para câncer que têm avançado fortemente entre crianças e adultos de todo o mundo. Para alertar a população sobre o fato de que estar acima do peso na infância pode levar ao surgimento do câncer ao longo da vida, uma campanha global que envolverá mais de 90 países será lançada nesta quarta-feira, 4 de fevereiro, Dia Mundial do Câncer. A iniciativa é da União Internacional de Controle do Câncer, UICC, maior organização não-governamental do mundo dedicada ao controle da doença. O Instituto Nacional de Câncer, INCA, é membro da UICC e a apoiará na divulgação do tema no Brasil.
A ação faz parte de um projeto mais amplo, lançado há dois anos e que será desenvolvido até 2012. As atividades são guiadas pelo tema “Crianças de hoje, mundo de amanhã”, que atenta para a necessidade da adoção de hábitos saudáveis para prevenção do câncer desde a infância. Em 2009, a campanha pretende mobilizar familiares, profissionais de saúde, educadores e o poder público para a promoção da saúde e prevenção do câncer, por meio do estímulo a um estilo de vida saudável para as crianças, com escolhas alimentares adequadas e uma vida fisicamente ativa.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, OMS, pelo menos 2,6 milhões de pessoas morrem anualmente por causa do excesso de peso ou obesidade. A UICC estima que a alimentação inadequada, o sedentarismo, o sobrepeso e a obesidade sejam responsáveis por aproximadamente 30% dos casos de câncer nos países ocidentais, o que representa a segunda maior causa evitável de câncer, atrás apenas do tabagismo. A campanha pretende alertar para a necessidade do equilíbrio entre a energia ingerida por meio da alimentação e a gasta com atividades físicas.
OrientaçõesUma criança obesa tem chances até 30% maiores de se tornar um adulto obeso e o excesso de peso corporal em adultos é um fator de risco comprovado para câncer. Há evidências de que o excesso de gordura corporal aumente o risco do desenvolvimento de vários tipos de câncer, como de endométrio, rim, vesícula, pâncreas, mama e intestino. A primeira atitude que os pais podem tomar para prevenir a obesidade de seus filhos é alimentá-los somente por meio da amamentação até os seis meses de idade. Isso reduz em 13% as chances de a criança tornar-se obesa.
Hábitos saudáveis adquiridos desde cedo têm forte impacto ao longo da vida. Grande parte dos hábitos é estabelecida durante a infância, e o ambiente em que as crianças crescem - em casa, na escola ou em suas comunidades - as influencia de forma bastante intensa. Por isso, é importante que sejam estimulados, desde a infância, hábitos como alimentação saudável e a prática de atividade física. A escolha de um prato de comida colorida, com mais frutas, verduras e legumes, e menos gorduras, deve ser incentivada desde cedo. Além disso, os pais também devem estimular seus filhos a serem fisicamente ativos, reduzindo o tempo de atividades e brincadeiras mais sedentárias, como assistir televisão.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 1,6 bilhão de adultos no mundo estão com excesso de peso e ao menos 400 milhões desses são obesos. As projeções indicam que em 2015 esses números subam para 3,3 bilhões e 700 milhões, respectivamente. A estimativa é que uma em cada 10 crianças em idade escolar esteja com excesso de peso. Dessas, de 30 a 45 milhões são obesas, o que representa de 2 a 3% de todas as crianças do mundo com idade entre 5 e 17 anos. No Brasil, de acordo com a Pesquisa de Orçamento Familiares, POF, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, 40,6% da população está com excesso de peso e 11,1% dos brasileiros são obesos. Esse número representa praticamente o dobro da prevalência de obesidade observada em 1974, qu e era de 5,7%.
Ações de controleO Instituto Nacional de Câncer criou em maio de 2007 a Área de Alimentação, Nutrição e Câncer. O objetivo é produzir e reunir informações sobre a relação entre os hábitos alimentares e o câncer. A área funciona como um canal de consulta e troca de informações diretamente com estados e municípios, facilitando o trabalho de promoção de práticas alimentares saudáveis. Desenvolve projetos em parceria com diversas instituições como a Embrapa Agroindústria de Alimentos, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), universidades e empresas.
No âmbito do Ministério da Saúde, diversas ações são desenvolvidas para a promoção da alimentação saudável e da prática de atividade física, inclusive com o foco nas crianças. Destaque para do Programa Saúde na Escola, lançado em 2008 em parceria com o Ministério da Educação. Para os fatores de risco de câncer, o Programa utiliza os materiais de uma ação desenvolvida pelo INCA, o Saber Saúde, iniciada em 1998.
O objetivo é estimular a consciência crítica dos cidadãos de forma a que eles possam fazer opções conscientes que contribuam para sua saúde, a saúde coletiva e a do meio ambiente. O Saber Saúde tem como público-alvo alunos do Ensino Fundamental, envolvendo também professores e funcionários, alunos da Educação Infantil e do Ensino Médio, famílias e comunidades. Nos 26 estados e no Distrito Federal onde o Saber Saúde está implantado, sua cobertura é de 2.389.126 alunos e 120.284 professores. Até dezembro de 2008, 14.280 escolas já haviam sido sensibilizadas, sendo que 7.759 já estavam com o programa implantado.
O Ministério da Saúde também estabeleceu com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) metas para a redução dos teores de gordura trans dos alimentos industrializados no país. Até o final de 2010, conforme os parâmetros recomendados pela OMS, as gorduras trans não podem ultrapassar 2% do total de gorduras que compõem os alimentos.

Fonte: Instituto Nacional de Câncer

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Combustível do futuro.

Se a próxima geração de veículos automotores vir mesmo a ser a dos carros híbridos ou elétricos, então a Bolívia tende a ser a nova Arábia Saudita do Lítio (mineral usado na bateria dos veículos). Este é o tema da reportagem do correspondente do The New York Times na Bolívia, Simon Romero.
Estimativas apontam que, praticamente metade do lítio do mundo encontra-se em território boliviano, no longínquo deserto salino de Uyuni. Empresas japonesas e européias já tentam fechar acordos para explorar o mineral, enquanto o governo Evo Morales fala em controlar as reservas e manter longe os estrangeiros, respaldado agora pela nova constituição aprovada no referendo de janeiro (ver nota anterior do blog).
Todavia, os grupos estrangeiros não se sentem desencorajados. Os conglomerados japoneses Mitsubishi e Sumitomo e um grupo liderado por um industrial francês, Vincent Bolloré, enviaram representantes a La Paz para discutir o acesso ao Lítio.




"Se quisermos ser uma força na próxima geração de carros, temos que estar aqui."
Oji Baba, executivo da Unidade de Metais de Base da Mitsubishi







A Mitsubishi não é a única a pretender a produção de veículos com baterias de lítio-íon. A GM pretende lançar em 2010 um carro com bateria de lítio-íon e motor a gasolina. Nissan, Ford, BMW e outras tem projetos similares.
A demanda pelo mineral, usado há muito tempo em quantidades pequenas em medicamentos estabilizadores de humor e armas termonucleares, tem crescido com sua utilização em baterias de celulares e outros eletrônicos. Mas a indústria automotiva tem o maior potencial de utilização do lítio em grande escala. Mais leve que o níquel, ele daria maior autonomia aos carros elétricos.
A despeito da restrição interna pelo envolvimento estrangeiro na exploração dos recursos, analistas dizem, no entanto, que o país precisará investir centenas de milhares de dólares para viabilizar a produção nessa magnitude. O governo está investindo USD 6 milhões numa pequena fábrica perto do povoado de Rio Grande, onde espera lançar o primeiro esforço boliviano em escala industrial para extrair e processar o lítio. Morales quer que a fábrica fique pronta ainda neste ano.

"Temos as maiores reservas de lítio do planeta, mas, se não entrarmos na corrida já, perderemos essa chance. O mercado achará outras soluções." - Juan Carlos Zuleta, economista sediado em La Paz.