segunda-feira, maio 10, 2010

Quer casar comigo?

Por Marcelo Rubens Paiva.

Ele estava na dele.
Quando ela ligou, queria conversar.
Na voz dela, antes comedida, uma aflição inédita.
Ela costumava ser alegre, era muitas, como todos, mas agora do outro lado da linha alguém que sofria, alguém que precisava dele.
E como tinham o pacto, prontamente atendeu, entendeu e foi vê-la.
Ela era uma ex, daquelas que a gente não supera, ex de muitos anos atrás, quando ela tinha menos de 20, e ele 3 casamentos nas costas.
E e diziam um para o outro, espere você crescer mais, eu te amo, tu me amas. Mas viva um pouco mais.
E e brincavam, quando você dobrar os 30, a gente se casa.
Durante a década, viviam se encontrando, às vezes amigos, às vezes se amando, sempre se ajudando, conselhos, cura, passeando, uma amizade-amor.
Até trepavam.
E era sempre a mesma sorte, o tesão de sempre, aquele corpo de que eram íntimos, que veneravam, trepavam rindo, gozavam gargalhado.
Então, ela propos, acabei uma relação, estou com 30 anos, e aí, casa comigo, please, casa, vai, casa, casa?
Ele na dele, por opção, riu, será?
Pensou, mas então é agora? Calculou, não era para ser apenas uma amizade-amor? Não seria melhor assim? Assim é bom? Riu, sorriu, pensou, como cartas embaralhadas, viu fotogramas do futuro, nós na mesma casa, acordando num domingo, cozinhando, num Réveillon, em Natal, bebendo num boteco, na cama assistindo à TV à tarde, nós. Trepando quase todas as noites. Nela grávida ao meu lado.
E respondeu: “Só se for para sempre!”
Ela pulou de alegria, avisou à família, contou pros amigos, fez planos.
Ele ficou eufórico, claro, por que não, eu a amo, ela me ama!
Passaram a semana juntos.
No outro fim de semana, ela sumiu.
Na outra semana, disse que estava triste, que procurou o ex para consolá-la, e ele ia morar com ela.
E ainda ficou irritada: “Como você acha que eu ia te namorar, se eu estava triste, terminando uma relação séria, sim, você me beijou, trepamos, foi gostoso, mas eu estava carente.”
Mulheres…

sexta-feira, maio 07, 2010