quarta-feira, setembro 06, 2006

So What







"The difference between me and other musicians is that I've got charisma"








1959. Ano de grandes perdas para a música americana e mundial. Um acidente aéreo vitimou os jovens rockers Buddy Holly, Richie Valens e The Big Bopper. O mundo do jazz chorou as partidas do saxofonista Sidney Bechet, e da sublime e controvertida Lady Day, Billie Holiday. Na esfera política, a morte mais significativa foi de John Foster Dulles, o Secretário de Estado Americano desde 1953 sob o governo Eisenhower. Dulles foi um dos fundadores da Otan e sua política internacional contribuiu para o recrudescimento das relações bipolares em tempos iniciais de guerra fria.
Propaganda e cinema consolidaram o american way of life como um grande poder de influência, na década que talvez tenha assistido o ápice do sonho americano. A prosperidade econômica possibilitou o advento da chamada sociedade de consumo, formaram-se os subúrbios da emergente classe média, como resultado da pressão demográfica urbana.
Indiferente a tamanha euforia nacionalista, Miles Davis soprava a plenos pulmões: So What? Articulado, sabia bem que à seus irmãos negros restava o pesadelo da subjugação, sendo considerados cidadãos apenas quando do oferecimento militar de suas carcaças, ou de sua força e suor na expansão do pujante novo império.
Este vídeo magistral é parte de um programa do canal de TV CBS, dirigido por Jack Smight (o mesmo diretor de Aeroporto), apresenta Miles e seu primeiro grande quinteto no auge do entrosamento. John Coltrane, Wynton Kelly, Paul Chambers, Jimmy Cobb e Gil Evans e sua orquestra em total sintonia com o carismático líder, que, enquanto observa os solos de Coltrane, fuma seu charuto em característica postura blasé, sofisticação européia diria Bird.
Neste mesmo ano, a ilha caribenha fornecedora de seu fumo iniciava a jornada utópica do comunismo. Por aqui vivia-se um período
célebre, com a conquista da primeira Copa do Mundo, o estouro da Bossa Nova e o plano de metas de Juscelino.
Tal obra, só poderia ser fruto de uma época permeada de encanto. Mesmo que efêmero, superficial ou até ilusiório, ainda assim existiu e moveu as paixões daquela geração.

Bom proveito.



sexta-feira, setembro 01, 2006

Tirania fatídica.

um tempo para nascer,
um tempo para morrer,
um tempo para plantar,
um tempo para arrancar o plantado,
um tempo para matar,
um tempo para curar,
um tempo para destruir,
um tempo para edificar,
um tempo para chorar,
um tempo para rir,
um tempo para lamentar,
um tempo para dançar,
um tempo para espalhar pedras,
um tempo para ajuntá-las,
um tempo para abraçar,
um tempo para abster-se de carinhos,
um tempo para procurar,
um tempo para perder,
um tempo para guardar,
um tempo para jogar fora,
um tempo para rasgar,
um tempo para costurar,
um tempo para calar,
um tempo para falar,
um tempo para amar,
um tempo para odiar,
um tempo para a guerra
e um tempo para a paz.

Eclesiastes.