quarta-feira, julho 30, 2008

For Love Of Water

Exibido no Sundance 2008, com algumas premiações em festivais internacionais, o documentário FLOW entrou essa semana no circuito comercial dos EUA e promete causar no mínimo certo incômodo aos ávidos consumidores de Evian e cia. Filmado em 12 países, dirigido pela francesa Irena Salina, o documentário aponta que três ou quatro empresas dominam mais de 90% do mercado mundial de água engarrafada e utilizam-se de práticas criminosas para garantir que o fluxo do suprimento não seja interrompido. Entre outros, acusa o Banco Mundial de "obrigar" vilarejos africanos pobres -mas ricos em água potável- a vender seu bem mais valioso a gigantes do setor como Vivendi, Thames e Suez por valores irrisórios, em troca de assistência da entidade multilateral.
A verdade é que um simples indicador pode contribuir para uma maior relevância do assunto: O preço da gasolina nos EUA atingiu o nível de 4 USD o galão (por volta de R$ 1,70/Litro, bem mais barato dos R$ 2,40 que pagamos em média), e isso causou estremecimento e certo alvoroço na sociedade americana. O preço da quantidade equivalente de Evian engarrafada atinge o nível de USD 6,40, e disso quase ninguém se dá conta.

quinta-feira, julho 17, 2008

O momento do Não de Cobos.

As palavras cruciais de Julio Cobos.

"Es el día más difícil de mi vida. No se por qué el destino me pone en esta situación.
"Vivimos una época muy difícil, el 2001. Yo estaba dirigiendo una facultad y veía como el país se deshilachaba. La gente nos pedía que nos pongamos de acuerdo. Ese era el mensaje. Esta no es la situación de 2001, donde había un gobierno que no había cumplido con las expectativas. Después todos apostamos a consolidar el esfuerzo. Muchos perdieron su trabajo, otros sus ahorros.
"De a poco fuimos recuperando un gran país. Cuando veíamos que este país crecía, un grupo de hombres y mujeres de distintos partidos creímos en lo que llamamos la concertación. Lo hicimos convencidos de que teníamos que aportar entre todos. Sortear las diferencias. Había crisis en los partidos políticos.
"Hoy hemos llegado a un lugar en el que la sociedad se pregunta por qué tenemos que estar distanciados.
"Yo estoy seguro que lo que está pensando la ciudadanía, nuestros hijos, todos, es que salga una solución consensuada. No traerá la solución que todos estaban esperando. Está en mí que el gobierno de la presidenta de los argentinos sea el mejor de todos. Ella delegó la solución de este conflicto en el Congreso. Se avanzó bastante en la Cámara de Diputados.
"En estas circunstancias y en estos días que hemos vividos yo puse como ejemplo algunas cosas que se lograron con el consenso. Por eso fue la idea mía de convocar a los gobernadores, porque fui gobernador de una provincia que permitieron pacificar.
"Yo sé que formo parte del Gobierno y que vengo de otro sector, de otro espacio político y por ahí esto me permite disentir en algunas cosas. Esto es la pluralidad. Estos es actuar de acuerdo a las convicciones que uno tiene. Por eso he hecho todo lo posible. Sabía que este tema iba a llegar aquí al Senado donde están las provincias.
"Si la ciudadanía está esperando, es que de aquí salga algo consensuado. Yo se que está en el ánimo de todos ustedes apostar a ese consenso. Ha habido varios proyectos y ninguno termina de convencer porque no se ha podido unificar en las comisiones.
"A pesar de haber recibidos diferentes actores, uno tiene una responsabilidad institucional en este momento. Tengo que aportar para fortalecer un gobierno y dar la tranquilidad a un pueblo que quiere vivir en paz. Este tema ha llegado a dividir inexplicablemente a la población.
"Quiero pedir que evalúen la posibilidad de un cuarto intermedio para encontrar una solución, que es la que está esperando la ciudadanía. El país está mirandonos. En el sector del oficialismo hay gente que ha pensado distinto, y no por eso debe ser un impedimento para que entendamos el mensaje.
"Yo le pido al bloque del oficialismo que evalúe esta posibilidad y a los sectores de la oposición que evalúen la posibiliad que nos demanda la historia y el país. Nos pide que nos pongamos de acuerdo, que demos la respuesta que el pueblo argentino está esperando. Se los pido en nombre de muchos argentinos que creo están esperando el mayor acuerdo posible para terminar este conflicto y para mirar hacia adelante. Nada más".
No aceptan la propuesta de Cobos
"No creo que esto sea el motivo para poner en riesgo el país, la gobernabilidad, la paz social. Quiero seguir siendo el vicepresidente de todos los argentinos, el compañero de fórmula de todos los argentinos. Vuelvo a decir que es uno de los momentos más difíciles de mi vida. No percibo ningún interés. Estoy expresando que mi convicción, mis sentimientos empujan la decisión, que es muy difícil seguramente.
"La Presidenta de los argentinos nos va entender. Me va a entender. Porque no creo que sirva una ley que no de la solución a este conflicto.
"La historia me juzgará, no se cómo. Pero espero que esto se entienda. Soy un hombre de familia como todos ustedes, con una responsabilidad en este caso.
"No puedo acompañar y esto no significa que esté traicionando. Estoy de acuerdo con mis convicciones. Le pido a la presidenta de los argentinos que tiene la posibilidad de enviar un nuevo proyecto que contemple todo lo que se ha dicho. Que contemple todos los aportes que se han brindado.
"Que la historia me juzgue. Pide perdón si me equivoco. Mi voto no es positivo".

quarta-feira, julho 02, 2008

Balança comercial no semestre: - 45% de saldo

O saldo da balança comercial (exportações menos importações) em junho chegou a US$ 2,719 bilhões, 28,8% menor do que o registrado no mesmo mês de 2007 (US$ 3,821 bilhões). As exportações no mês passado somaram US$ 18,594 bilhões e as importações, US$ 15,875 bilhões. No acumulado do ano, o superávit comercial é de US$ 11,370 bilhões, com vendas externas no valor de US$ 90,645 bilhões e importações de US$ 79,275 bilhões. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o saldo da balança comercial teve uma redução de 44,74%.O motivo para a redução do saldo comercial é o crescimento das importações em ritmo maior do que das exportações. O dólar mais barato e o aumento da renda dos brasileiros favorecem as importações de produtos. Além disso, as empresas importam máquinas e equipamentos para investir na produção.Às 15h30, o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Welber Barral, concederá entrevista coletiva sobre o resultado da balança comercial em junho.
Fonte: Agência Brasil.

quarta-feira, junho 04, 2008

Finalmente Obama!

Pela primeira vez um negro disputará o posto maior da Casa Branca. Liderando a disputa democrata desde fevereiro, encontrou uma dura resistência (com ares quixotescos) na Sra. Clinton, mas após as primárias em Dakota do Sul e Montana não há mais como resistir.
Agora, devem estar negociando como se dará o apoio de Clinton à Obama, uma vez que ela foi muito votada entre a classe operária branca, idosos e mulheres, "classes" valiosas para a volta do partido ao poder. Especula-se numa dobradinha Obama-Clinton, mas penso que isso seja improvável. O convite para ser vice de Barack, até como forma de reverência e respeito, deve ser feito a Hillary, mas apenas se não existir a chance dela aceitar. Afinal, o mote principal da campanha de Obama foi o da mudança, ter um vice com histórico de 8 anos de Casa Branca, seria no mínimo uma sugestão à incoerência. Além disso, existe um aspecto típico da cultura estadounidense que impediria essa coalizão: O delicado mas inevitável debate do americano médio quebrar as barreiras da cor e sexo de uma vez só...
De fato, talvez seja mais produtivo contar com Hillary Clinton como uma forte aliada na bancada do senado.

terça-feira, maio 27, 2008

Sydney Pollack, a life in movies.


Com Tootsie de 1982, Pollack tornou-se um grande player de Hollywood, recebendo 10 indicações ao Oscar daquele ano, inclusive o de melhor filme.

Slideshow do jornal The New York Times em homenagem ao grande cineasta.

domingo, maio 25, 2008

Ocaso por acaso.

Futebol é a verdadeira paixão nacional, esse talvez seja o maior óbvio ululante rodriguiano. Romário, um dos principais jogadores de todos os tempos encerrou a carreira recentemente, sim, é melancólico, todos ficamos chateados por não poder contar mais com a beleza de seu talento nos gramados, mas isso em nada se compara à emoção despertada nesse domingo de outono no hemisfério sul. Na primavera francesa um gigante se retira de cena. Um gênio da raquete direto do país das chuteiras mais uma vez nos comove com a sua simples presença, pois é desse misterioso carisma que ídolos são feitos. É bem verdade que sua ausência dos palcos já vem de certa data, mas existia uma esperança coletiva do retorno do grande artista. Afinal, ídolos são sobre-humanos, quase super-heróis, com poderes especiais sobre os corações e mentes dos pobres mortais. E agora? Quem poderá nos salvar?
Entendo, mas não concordo com os que reclamam da falta de herdeiros da "onda Guga" no tênis nacional. Guga é Pelé, é Maradona, e não vejo ninguém reclamando da falta de "planejamento" dos cartolas do futebol nesse quesito. É óbvio que planejamento e organização são fundamentais para formação de grandes atletas em qualquer esporte, não obstante, não se planeja a formação de deuses do olimpo, pois é exatamente o fator aleatório que os justificam!
Lágrimas pares o esporte só me arrancou quando da tragédia de Ímola... Mas desta feita o luto se restringe às quadras, pois o ídolo nos encanta com sua simples presença, e Guga é craque dentro e fora delas.

quarta-feira, maio 21, 2008

Jeans rules!


Há exatos 135 anos, Levi Strauss e Jacob Davis conseguiram a patente de uma nova calça reforçada com rebites, usada basicamente para o trabalho pesado. Hoje todos tem um modelo no armário. Em celebração ao aniversário da peça mais pop do vestuário global, a Magnum Photos editou um interessante ensaio, com usuários de diversas épocas e estilos. Nem preciso mencionar minha foto favorita...




Volta da CPMF? Panelaço neles!!

Deu no blog do Josias:
Almoço entre líderes governistas onde decidiu-se o seguinte:

1. A bancada governista unirá forças com a oposição para aprovar na Câmara o projeto que regulamenta a chamada emenda 29. Obriga o governo a reforçar o orçamento da Saúde. Reforço escalonado. Que alçará à casa dos R$ 20 bilhões em 2011;

2. Para evitar que Lula vete a nova lei, a tropa governista decidiu providenciar as fontes que proverão a verba extra a ser injetada nas arcas da Saúde;

3. Com o apoio dos líderes de todos os partidos do consórcio que dá suporte legislativo a Lula, será levada a voto uma proposta que ressuscita a CPMF. Em vez de emenda constitucional, mais difícil de aprovar, optou-se pelo projeto de lei complementar;

4. A alíquota do tributo revivido será de 0,10% (a antiga CPMF, derrubada pelo Senado em dezembro de 2007, mordia dos cheques emitidos pelos brasileiros 0,38%). Estima-se que a nova CPMF renderá ao Tesouro uma coleta adicional de cerca de R$ 10 bilhões por ano;

5. Decidiu-se propor também a elevação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos cigarros e das bebidas alcoólicas. A forma e os percentuais serão objeto de novas tratativas. Busca-se uma arrecadação adicional de R$ 1,5 bilhão ao ano;

6. Deliberou-se, por último, que a recriação da CPMF e a majoração do IPI serão votadas concomitante com o projeto da emenda 29. Abandonou-se a idéia de tratar das fontes de verbas para a Saúde no âmbito da reforma tributária.

O almoço em que todas essas decisões foram tomadas ocorreu na casa do líder do PTB, deputado Jovair Arantes (GO). Lá estavam, além do anfitrião, representantes do PMDB, PT, PP, PL e PR. Participou também Henrique Fontana (PT-RS), líder de Lula na Câmara.

"Estamos fechados com essas propostas", diz Fontana. "É a forma de tratar a questão da Saúde de forma responsável."

O blog ouviu o anfitrião Jovair Arantes. “Nós, da base do governo, partimos do óbvio: temos que resolver os problemas da Saúde, que estão se agravando. Vamos votar a emenda 29. Há maioria para aprovar. Então, temos de responder à seguinte pergunta: de onde virá o dinheiro?”

Continue-se ouvindo Jovair: “Não adianta dizer que você vai a Paris três vezes por mês, para beber os melhores vinhos e comer as melhorias comidas, sem definir quem vai pagar a conta. A emenda 29 está do mesmo jeito. Muito bonita, mas não diz de onde tirar o dinheiro.”

Mais Jovair: “Hoje, temos excesso de arrecadação [de tributos]. Mas não há segurança de que esse excesso vai existir amanhã. Portanto, temos de providenciar fontes definitivas para a Saúde.”

Ainda o líder do PTB: “Quando você aumenta a renda na sua casa, usa o dinheiro extra para melhorar a qualidade de vida da família. Compra roupa nova para a mulher, troca de carro, passa a comer o que não comia. No Brasil é a mesma coisa. Os recursos extras que estão entrando vão servir para fazer investimentos outros: o PAC, a infra-estrutura, o saneamento.”

Últimas palavras de Jovair: “Então, decidimos, a base toda unida, fechar questão em torno da aprovação da emenda 29, com projetos em cima dela ou junto com ela, que resolvam o problema do financiamento da Saúde. Não houve divergência. Poucas vezes participei de encontro em que a concordância alcançou esse grau de coesão.”

domingo, maio 18, 2008

Beijo de Judas.

"A perfídia de Judas não era desconhecida para Jesus... (João 13:37). Mas até Jesus ficou maravilhado com a ousadia de um discípulo que traiu o seu mestre com um sinal de afeição."
Então Marina era a mãe do PAS (Plano Amazônia Sustentável)? Criança recém-nascida deveria ficar no colo de sua mãe, e não de um pai "bastardo". Talvez, a entrega da gestão do PAS a Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) tenha sido o fato deflagrante da renúncia da ministra, porém apenas a gota d`água de uma situação que parecia de fato ser insustentável. A toda poderosa Dilma parece ter minado a importância de Marina nas deliberações do segundo mandato de Lula.
O mal-estar entre Marina Silva e Dilma Rousseff (Casa Civil) começou em julho do ano passado, por conta das negociações em torno do edital para as concessões do leilão das usinas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira (RO). Após desentendimentos, o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis) concedeu licença prévia para as hidrelétricas serem construídas, mas estabeleceu uma série de regras.
Para Dilma, o argumento era econômico e técnico: as usinas produzirão 6.450 MW --a maior obra de energia do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Marina argumentava, por outro lado, que as hidrelétricas só podem sair do papel se ficasse constatado que não iriam trazer prejuízos ambientais à região.
Perder prestígio por fazer o trabalho para o qual foi contratada? No mínimo incoerente... Agora, não se sabe se estrategicamente ou não, mas a renúncia foi numa data mais que oportuna em termos de marketing pessoal: Marina deixou o ministério na semana em que a BBC de Londres fazia uma série de programas sobre a Amazônia. Havia 26 jornalistas da rede britânica de rádio e TV no país. Marina deixou o governo na semana em que Angela Merkel, a chanceler da Alemanha, veio se reunir com Lula em Brasília.
Com essa Lulinha Iscariotes não contava.

segunda-feira, abril 28, 2008

Concentração de riquezas

O Jornal Sunday Times, divulgou sua lista anual dos indivíduos mais ricos da Grã-Bretanha, e como fato marcante, observo que a soma das fortunas das 1000 pessoas mais ricas da lista, equivale a 412,8 bilhões de libras esterlinas, ou algo em torno de R$ 1,3 Trilhões, ou seja, metade do PIB brasileiro em 2007!!! De fato, impressiona.....
Outra curiosidade da lista é a quantidade de estrangeiros: dos 75 mais ricos, 40 são estrangeiros residentes, e, dentre os 200 mais ricos, constam 2 brasileiros: O dono da Natura, Antonio Luiz Seabra, e a viúva do banqueiro Edmond Safra, Lily Safra, aparecem nas posições 138 e 156 da lista.

sexta-feira, abril 18, 2008

Separação

Vários poemas no final de A fúria da beleza, livro de Elisa Lucinda, tratam da dolorosa hora da desilusão amorosa. Alguns trechos:

PEDIDO DE AMOR

Cuide de nós, meu amor.

(...)

Cuide de nosso amor,
antúrio, avenca, samambaia,
Polvilhe teus elegantes dedos
nas primaveras das plantas de nossas casas.
Essas que existem na minha e na tua rua,
e essa perene que brilha entre as duas.
Aquela primavera-cigana que se estabelece nas estações,
se instala em todas as pousadas, quartos e cafundós,
se espalha em todos os chalés
e vai do hotel aeroporto, passa na Broadway, Cabo Verde,
Canadá, até o reino de Itaúnas.
Cuide comigo das nossas dunas
onde brincam e crescem nossos meninos,
para que vença o amor,
para que triunfe o melhor sentimento.

Porque não é de vento nossa estrada,
embora voe.
Nem é de mentira nossa dor,
embora perdoe.


REBANHO PERDIDO NO PARAÍSO

Sem você a vida não é que seja exatamente ruim,
mas é que fica manca e puxa de uma perna toda beleza.
Então é surda ela de um ouvido
ou, o que não duvido, é cega dos óio.
(...)
Eu choro, por dentro, nas confeitarias,
choro nos balcões de caldo de cana e também nos balcões de poesia.
Tantos perdões te ofereci,
muitas compreensões te ofertei,
canções que cantei sem alarde nos banheiros em seu nome!
Tolerâncias-rebanho pus no altar de nossas oferendas
e agora, passeiam sem agendas nossos sonhos.
Gados sem vaqueiro percorrem o escuro do pasto.
Lá vão eles, são nossas doces quimeras.
Ovelhas sem rumo, porteira sem tramela.
Ninguém avisou a elas que podia ser de precipício o próximo passo.
Também pudera,
ovelhas pensam que o guia é certo como o sol, ele mesmo, o astro.

segunda-feira, abril 07, 2008

Kafka em HQ

Não houve apenas um trabalho de adaptação de contos em "Desista! E Outras Histórias de Franz Kafka". (Conrad, R$ 22, 64 págs.). Ocorreu também um processo de transcriação das narrativas surreais do escritor tcheco.
O norte-americano Peter Kuper, autor da adaptação, traduziu em imagens o tom absurdo das situações criadas por Kafka (1883-1924).
Trata-se, evidentemente, de uma leitura pessoal dele mostrada na forma de imagens.
No conto "Desista!", destacado no título e na capa do álbum, um homem atrasado pergunta a um policial "qual é o caminho". Acuado, ouve um sonoro "desista!" como resposta.
O atraso do homem é caracterizado com um relógio num dos olhos. A atitude agressiva do policial é simbolizada com um cano de revólver no lugar do nariz.
É esse o tom das nove histórias da obra, ora mais acentuado, ora menos. Imagem e texto procuram se harmonizar por meio dos toques surreais.
O resultado é um incômodo, muitas vezes acentuado pela crítica à condição humana.
Talvez o caso mais contundente desse desconforto seja "Um Artista da Fome", o mais longo do álbum (dez páginas).
Um jejuador profissional, que se apresenta em público, começa a perder o interesse da platéia. Tenta se apresentar num circo, mas a cena se repete.
Como de costume numa obra kafkiana, a situação em si dá margem a mais de uma leitura. Mas qualquer interpretação esbarra num certo desconforto.
Os nove contos do álbum –escritos por Kafka nas duas primeiras décadas do século 20- não são o primeiro passeio de Kuper pelo mundo kafkiano.
Ele adaptou também "A Metamorfose", trabalho feito após "Desista!".
A versão dele para o romance foi lançada pela Conrad em 2004.
Foi um bom negócio para a editora. A obra foi incluída no PNBE (Programa Nacional Biblioteca na Escola), do governo federal.
O programa compra obras literárias e em quadrinhos e as distribui a escolas do ensino fundamental. Resultado: a obra esgotou.
"Desista!", assim como outras adaptações literárias que vêm sendo produzidas, tem tudo para seguir o mesmo caminho. Melhor garantir antes que o governo a descubra
Fonte: UOL.

Luto.

segunda-feira, março 31, 2008

Veja por Luis Nassif


A cara da Veja, para todos os leitores que freqüentam o portal da revista, é o Blog de Reinaldo Azevedo.
Assista à campanha institucional da revista. Repare nas imagens, mostrando os problemas nacionais, a miséria, as criancinhas, a violência. E confira, na prática, “qual o país” que Veja quer ser.
Uma revista é o que ela publica, não o que a publicidade imagina.
Azevedo foi um jornalista apagado até os 40 anos de idade. Depois, entrou para a revista “Primeira Leitura”, que cerrou as portas quando foi denunciado o esquema de patrocínios políticos que a mantinha.
Foi, então, contratado por Mario Sabino para se tornar o blogueiro da Veja, incumbido dos ataques aos adversários e da bajulação aos aliados e à empresa. Pratica ambos com notável desenvoltura.
Dedica a Sabino temor reverencial. Quando não recebe ordens diretas da direção, procura se antecipar ao que considera ser a opinião da revista.
Às vezes erra e entra em pânico.
Quando Barack Obama despontou nas pesquisas, escreveu comentário preconceituoso contra ele. No final de semana a edição da revista elogiava o candidato. Sua reação foi um e-mail temeroso a Sabino, perguntando das conseqüências do escorregão.
Acalmou-se quando recebeu o “nihil obstat”. Passou recibo no Blog, divulgando o e-mail súplice e a absolvição generosa.
Tenta reproduzir o ideal “yuppie” do grupo, como apregoar que sempre foi bem sucedido (até os 40 anos era jornalista apagado; até dois anos atrás, jornalista desempregado), gostar de uísque escocês e separar parte de suas cinco horas de sono para “fazer amor”. Aprecia quando comentários supostamente assinados por leitores (grande parte dos comentários é de "anônimos", que tanto podem ser leitores quanto o próprio blogueiro) realçam sua inteligência e charme.
Gosta de ser chamado de "meu Rei" e "tio Rei" pelos leitores. Esbanja preconceito contra negros, mulheres, abusa de um linguajar chulo, não tem limites para caluniar ou difamar críticos da revista.
Seu blog participa do circuito de blogs que fazem eco às "denúncias" lançadas pelo lobby de Daniel Dantas.
É reconhecidamente pessoa desequilibrada, com pendores homofóbicos. Tem obsessão por insinuações sexuais contra adversários e é especialmente agressivo com mulheres. Consegue saltar, sem nenhum filtro, da agressão mais escatológica contra os "inimigos" à bajulação mais rasteira às chefias.
Em qualquer publicação, independentemente do porte, seu desequilíbrio seria contido dentro de limites editoriais. Na Veja de Eurípedes-Sabino não só tem autorização para fazer o que quiser -até sugerir "boquetes" ao presidente - como é estimulado a isso.
Graças à falta de discernimento de Eurípedes e Sabino e à pouca importância que ambos - mais a Abril - dedicam ao trabalho de preservação da imagem da revista, Azevedo representa uma espécie de caricatura, a parte mais grotesca do processo de degradação editorial da revista. É um esgoto sem filtro. Todo o seu desequilíbrio é despejado diariamente no Blog e sua atuação festejada por Sabino.
Hoje em dia, junto ao universo crescente dos freqüentadores da Internet, a imagem de Veja tornou-se irremediavelmente ligada à de Azevedo, o "tio Rei". É o exemplo mais acabado do processo de deterioração moral e editorial que tomou conta da revista.