Mostrando postagens com marcador economia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador economia. Mostrar todas as postagens

terça-feira, setembro 28, 2010

A Geração Air Jordan - Relembrando 25 anos do poder do "Sneaker"

On September 15, 1985, Nike introduced the Air Jordans. They turned out to be, to say the least, quite popular.
Sneaker culture exploded out of the post-war era, when American consumers were confronted with extraordinary new hours of leisure time and realized they needed to wear special shoes to take part in the activities this new free time afforded. The key shoe in these early years was the Adidas Superstar, the first to spread from the feet of NBA stars to those of kids on the street.
But the arrival of the Michael Jordan-endorsed Nike Air Jordans in 1985 changed everything. Featuring a bold-for-the-time red and black color scheme, the shoes were banned by the NBA for being too outrageous (only white shoes were considered acceptable.) Jordan, the best basketball player in the world, was fined $5,000 by the NBA every time he stepped onto the court in them — a fine Nike happily paid.
The ban turned sneakers from just something people wore on their feet to something illicit, something dangerous — a status symbol. From there, stores would sell out of limited-edition shoes instantly, rappers would make tracks dedicated to their kicks, pundits would spin stories of children being shot for their sneakers, and designers would make shoes into haute couture. But it all started with these Air Jordans.

sexta-feira, outubro 09, 2009

Do Blog de Ricardo Noblat - 09/10/09

Melou!!!
por Serafim Corrêa.

A Folha de São Paulo trouxe, ontem, de manchete: "Governo segura restituição".

A matéria explicava que, por conta da queda da arrecadação, o Governo Federal resolvera segurar a restituição de imposto de renda, transferindo boa parte dela para o primeiro trimestre do próximo ano.

Mais tarde, quando a notícia já estava em todos os blogs do país, o ministro Guido Mantega deu a explicação: “Não haverá prejuízo para ninguém já que a restituição é corrigida pela taxa Selic”.

A explicação não resiste a uma pergunta de um aluno do primeiro ano de Economia ou de Ciência Política. Isto porque a Selic, que corrige a restituição, é exatamente a mesma que remunera a Dívida Pública.

O aluno de Economia deve perguntar:

“Ministro, mas se a taxa de juros é a mesma, qual é a diferença entre dever para o contribuinte que pagou a maior e dever para os bancos que compram os títulos da Dívida Pública?”

E o de Ciência Política:

“Ministro, mas se o custo é o mesmo, por que impor a milhares de pessoas que tem dívidas com taxas de juros maiores um enorme custo financeiro, beneficiando os bancos e desgastando o governo junto à classe média?

O Ministro não vai responder. Sabem por que?

A razão é outra.

A arrecadação de Imposto de Renda é um dos componentes da base de cálculo dos repasses do Governo Federal para Estados e Municípios através do Fundo de Participação dos Estados e dos Municípios.

A cada dez dias o Governo apura o arrecadado e diminui o que é restituído.

Imaginemos que a arrecadação foi de 100 unidades e a restituição teria que ser de 20 unidades. A base será de 80 e com isso cairiam mais ainda os repasses em favor de Estados e Municípios com a inevitável gritaria produzida por governadores e prefeitos.

Se, no entanto, a restituição é adiada, a base é 100 e os repasses não diminuem, nem provoca alarido de governadores e principalmente de prefeitos.

É por essa razão, e só por essa, que o Governo Federal está empurrando com a barriga a restituição de Imposto de Renda.

O que não estava nos planos era um repórter sagaz descobrir e a Folha de São Paulo publicar de manchete.

E aí, como diz a garotada, “melou”.


Serafim Corrêa é funcionário aposentado da Receita Federal e ex-prefeito de Manaus

segunda-feira, outubro 05, 2009

Petróleo Novamente

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO - O ESTADO DE SÃO PAULO - 04/10/09

Pela terceira vez escrevo nesta coluna sobre a questão do petróleo. Não é para menos: trata-se de recurso fundamental que de riqueza virtual pode tornar-se uma das molas de nosso desenvolvimento futuro.
A chamada Lei do Petróleo, de 1997, preservou o monopólio da União sobre o subsolo, mas autorizou a concessão da exploração, da distribuição, do refino e do transporte do petróleo e seus derivados a empresas privadas, além da Petrobrás, que antes detinha a exclusividade das operações nessas áreas. Para regular o setor criou-se a Agência Nacional do Petróleo (ANP). No mesmo arcabouço aparece o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão de assessoramento da Presidência da República. Esse marco institucional, o governo determina o ritmo da abertura de novas áreas de exploração. Outro aspecto importante da legislação atual é a existência de critérios que, nos leilões, favorecem as empresas que se comprometem a comprar produtos nacionais para os projetos de exploração.
É muito bem-sucedida a experiência de mais de dez anos de funcionamento desse modelo. Em 1993 produzíamos 693 mil barris de petróleo por dia; em 2002 alcançamos 1,5 milhão de barris; em 2009 atingimos 2 milhões de barris. O maior salto na produção se deu entre 1997 e 2002. Os recursos obtidos pela União foram substanciais e muito maiores do que os dividendos distribuídos aos acionistas privados. A União recebeu em 1999, como pagamento de bônus de assinatura, royalties ou participações especiais, cerca de R$ 2 bilhões. Em 2007 foram mais de R$ 17 bilhões, a maior parte deles decorrente de participações especiais, passíveis de ser aumentadas por um simples decreto.
Então, por que mudar o regime agora? O tema de fato requer discussão, dado o novo balanço de riscos presumíveis (menores) e receitas esperadas (maiores) que o pré-sal apresenta.
Há um ponto a respeito do qual parece haver convergência: sendo vultosa a renda adicional a ser gerada pela exploração do pré-sal, grande parte dela em dólar, é prudente criar-se um Fundo Soberano. Isso para minimizar dois efeitos negativos: um gasto indiscriminado que impedisse as gerações futuras de se beneficiarem dos frutos de uma riqueza natural comum e uma valorização enorme do real, em detrimento da competitividade de nossa economia, em geral, e da indústria e das exportações, afora o petróleo, em particular.
O melhor é fazer no Brasil algo nos moldes do que faz a Noruega, com o seu Fundo Soberano. Aqui, por que não deixar sua gestão em mãos do Tesouro Nacional e do Banco Central, que possuem equipes altamente especializadas, sob a supervisão de um pequeno grupo de pessoas designadas pelo presidente e aprovadas pelo Senado, que prestassem contas anuais ao Congresso e ao Tribunal de Contas da União (TCU)? A legislação relativa ao fundo poderia prever a destinação de suas receitas financeiras à área da educação, em especial a pesquisas para o avanço científico e tecnológico, particularmente em energias limpas e tecnologias poupadoras de gás carbônico.
Não é por aí, porém, que vai o projeto do governo. Para a gestão do fundo a proposta cria um conselho com pessoas nomeadas pelo presidente da República. Submetido ao Executivo, sem regras claras, o fundo poderá aplicar seus recursos em ativos no Brasil ou no exterior, recursos que poderão acabar por alimentar os orçamentos anuais e plurianuais da União, o que abre espaço à ingerência política na sua destinação. Não é esse, seguramente, o modelo norueguês.
O risco maior de politização, todavia, está na criação de uma nova empresa estatal, a Petro-Sal, diretamente subordinada ao Ministério de Minas e Energia. Será o Ministério que indicará ao Conselho Nacional de Política Energética as áreas nas quais se aplicará o regime de partilha (mesmo fora do pré-sal). Será o Ministério também que indicará a direção executiva da nova empresa. À Petro-Sal caberá a presidência do comitê gestor que supervisionará cada projeto de exploração, sob o regime de partilha. Em suma, o novo arranjo reduz ao mínimo o papel da ANP, cria uma outra estatal, sem que se saiba de onde virá a sua competência técnica, e dá muitos poderes ao Ministério de Minas e Energia.
À Petrobrás são reservados 30% de participação mínima obrigatória em qualquer consórcio, bem como o status de operadora única dos campos do pré-sal. Com isso se força a empresa a fazer investimentos que podem não lhe convir (uma das razões pelas quais a União busca tortuosamente capitalizá-la), fecha-se o espaço à maior participação privada e ampliam-se os incentivos a relações privilegiadas entre fornecedores e a estatal.
E a partilha? Como os custos de operação serão ressarcidos pelo governo, não afetando o lucro operacional das empresas, que dependerá exclusivamente do volume da produção e do preço do barril in natura comprado pelo governo, haverá menor incentivo à eficiência nos projetos de exploração. Haverá ainda, na melhor hipótese, uma tensão permanente entre o comitê gestor dos projetos, de um lado, interessado no menor custo de produção possível, e as empresas (inclusive a Petrobrás), de outro, não necessariamente interessadas. Ainda assim, admitindo que a partilha resulte em maior renda para o Tesouro, o que ainda não ficou provado, resta o problema da comercialização dos barris in natura pelo governo, mais um ponto de potenciais imbróglios político-empresariais.
Conclusão: sobram aspectos pouco claros no projeto, sobretudo quanto às suas consequências, e falta ainda debate profundo e prolongado para que possamos aprovar, com convicção e tranquilidade, uma lei que pretende alterar um regime de exploração até hoje vitorioso. É preciso discutir mais e melhor, no Congresso e na sociedade.

quinta-feira, setembro 10, 2009

O Brasil brilhou

PAULO NOGUEIRA BATISTA JR. - FOLHA DE S.PAULO - 10/09/09

Leitor, leitora , hoje não sei realmente por onde começar.
Normalmente, gosto de separar material, estatísticas, estruturar o artigo etc. Hoje, não dá tempo para nada disso. O horário-limite da Folha se aproxima -é sentar na frente do computador e escrever. Isso a título de desculpa. Bem.
Retomo o assunto da semana passada. Como previ no artigo da última quinta, para nós o aspecto mais importante das reuniões do G20 em Londres acabou sendo mesmo o encontro dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) na sexta-feira. A reunião de sábado, dos ministros de Finanças e de presidentes de BCs do G20, terminou em 0 a 0.
Dentro da rotação estabelecida entre os quatro países, cabia ao Brasil presidir a reunião dos Brics. Posso ser franco? O Brasil brilhou.
Tudo funcionou dentro do planejado. Desde a preparação do comunicado, passando pela cuidadosa negociação do texto entre as quatro delegações, por toda a logística e infraestrutura do encontro a cargo da nossa embaixada em Londres, até a condução das discussões pelo ministro da Fazenda do Brasil, terminando na coletiva de imprensa da qual participaram os quatro ministros -tudo saiu muito bem.
Como foi noticiado, o secretário do Tesouro dos EUA pediu para comparecer à parte final da reunião -um reconhecimento da importância crescente que vêm adquirindo os Brics. O diálogo com o representante americano foi conduzido com grande habilidade pelos quatro países, em especial pelo Brasil, que comandava o encontro.
O leitor sabe que o brasileiro, apesar de tudo, é um pobre e humilde ser. O complexo de vira-lata -não adianta negar- está sempre à nossa espreita. Assim sendo, confesso lisamente: fiquei orgulhoso.
Posso confessar que fiquei até emocionado? Pois fiquei. Pode ter sido -quem sabe?- apenas um efeito do esgotamento decorrente do excesso de trabalho e viagens.
Em todo caso, saí da reunião dos Brics com a esperança de que se consiga fazer progresso na reunião dos líderes do G20 em Pittsburgh, nos próximos dias 24 e 25 -em especial no que diz respeito à reforma do FMI que é, como expliquei no artigo da semana passada, uma das prioridades (talvez a prioridade) do Brasil para Pittsburgh.
Paro e releio o que escrevi. Não quero cortar nada, mas devo fazer algumas ressalvas. Primeiro, vale lembrar a advertência de Chamfort, filósofo francês do século 18: "A esperança não passa de um charlatão que não para de nos enganar; para mim, a felicidade só teve início quando a abandonei". E acrescentou: "De bom grado, colocaria na porta do Paraíso as palavras que Dante colocou na do Inferno: "Lasciate ogni speranza, voi ch'entrate" (abandonai toda esperança, vós que entrais)". Temos uma árdua escalada pela frente. A resistência da Europa será um obstáculo difícil de transpor. A coordenação com Rússia, Índia, China e outros países em desenvolvimento é uma batalha quase diária. Com os EUA e outros países desenvolvidos temos interesses comuns em matéria de G20 e FMI, mas será preciso usar todos os nossos recursos de persuasão e argumentação.
Quem quiser ter uma ideia mais precisa dos objetivos que buscaremos em Pittsburgh pode consultar o comunicado dos Brics, cuja íntegra está em www.fazenda.gov.br. Demorei a encontrar um título para o artigo. Espero que a escolha não pareça ufanista. De todo modo, o que importa mesmo é saber se conseguiremos sustentar a performance nas próximas semanas.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Acirra-se a disputa pela "picanha azul"

CLAUDIA SAFATLE - VALOR ECONÔMICO 04/09/09

O deputado Henrique Alves (PMDB-RN) já procurou os técnicos do governo para discutir como derrubar os artigos 49 e 50 do principal projeto de lei do novo marco regulatório do pré-sal. O parlamentar deve ser o relator do projeto que introduz o sistema de partilha de produção e, mesmo sem ter sido indicado oficialmente para a relatoria, já começou a discutir como substituir o que o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, arrancou de Lula no jantar de domingo, no Palácio da Alvorada.Estavam presentes no jantar que precedeu a divulgação do novo marco regulatório do pré-sal, na segunda feira, também os governadores de São Paulo, José Serra, do Espírito Santo, Paulo Hartung. Preparado para travar uma guerra, Cabral foi acompanhado por dois secretário: o de Desenvolvimento, Júlio Bueno, e da Fazenda, Joaquim Levy, ex-secretário do Tesouro Nacional e velho conhecido da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do presidente Lula.A prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, também procurou assessores do Ministério da Fazenda e das Minas e Energia, na quarta feira, para apresentar uma contraproposta ao texto do referido artigo que pode ser o ponto de partida para uma negociação no Congresso.O assunto envolve muito dinheiro e é complexo. Os dois artigos dizem que enquanto não houver uma lei específica mudando os royalties e a participação especial que vigora nas concessões, permanece tudo como está. Com esse dispositivo o Rio conseguiu garantir que os Estados produtores, os municípios confrontantes e os municípios com instalações necessárias à exploração do petróleo do pré-sal recebam, no regime de partilha de produção, o que receberiam se nessa área continuasse a vigorar o sistema de concessões.O projeto de lei original do Executivo remetia essa receita integralmente para o Fundo Soberano. O governo do Rio, na verdade, chegou ao encontro com Lula pedindo mais. A proposta, exposta por Levy, era de que coubesse aos Estados e municípios 50% do que a União apurar nas licitações. Lula quase cedeu.O ministro da Defesa, Nelson Jobim, presente ao jantar de domingo, fez a sugestão que prevaleceu, acalmando a tensão do governo do Rio. Os campos do pré-sal estão no mar territorial do Rio, São Paulo e Espírito Santo (a 300 quilômetros da costa). Desses, o Rio é o que concentra a maior área da "picanha azul", que é como o governo está chamando toda essa extensão, cujo formato é de uma suculenta picanha.Enquanto prevalecer o artigo 49, os Estados poderão ficar com 11,2% do que a União receber. Cálculo que pressupõe que, em cada bloco de exploração, 10% sejam distribuídos em royalties, 20% representem os custos da empresa contratada e 70% corresponda ao excedente de produção ("profit oil"). A cada licitação será definido que percentual dos 70% será destinado ao governo federal e que parte ficará com a empresa contratada.A sugestão de Rosinha Garotinho é de se fazer um regime misto. Do que couber à União nas licitações, 40% seria distribuído com base nos critérios da lei 9.748, que rege as concessões, e 60% seria integralmente da União. O que se fez para resolver o impasse criado pelo governador do Rio foi aplicar ao regime de partilha os mesmos cálculos usados nas concessões.Levy se baseou no artigo 20 da Constituição, que assegura aos Estados e municípios produtores participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural "ou compensação financeira por essa exploração". A compensação financeira pode ser feita mediante pagamento de royalties, por exemplo.A reunião no Alvorada foi longa. Por volta de 1 hora da manhã de segunda-feira Jobim ainda estava em uma sala do palácio com Levy, Bueno, os secretários de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, de Petróleo e Gás do Ministério das Minas e Energia, Marco Antônio Martins Almeida, e José Lima de Andrade Neves, presidente da BR Distribuidora. Lá, acrescentaram os dois artigos, apaziguando Cabral. Segundo relato de presentes, Serra e Hartung pouco se manifestaram sobre esse aspecto da lei.Dilma e o ministro Edison Lobão, também reunidos no jantar, não gostaram do arranjo de última hora de Levy e Jobim.Depois dessa vitória, para Cabral o jogo recomeça do zero. Acredita-se, no governo, que o Rio será "trucidado" no Congresso (segundo um qualificado assessor de Lula) pelas bancadas dos outros 26 governadores que também querem uma parte do dinheiro do pré-sal, por entenderem que a riqueza é do país e não apenas dos três Estados.Será uma batalha convencer o Congresso que, numa produção de R$ 100,00 num poço do pré-sal, supondo que a União receba 80% do excedente, a aplicação dos artigos 49 e 50 resultará numa distribuição em que caberá aos 24 Estados fora do pré-sal e aos milhares de municípios, R$ 0,875 (a título de royalties). A União ficará com 45% e o restante, afora os custos, será distribuído entre os Estados produtores do pré-sal (quase 27%0 e os seus respectivos municípios (5,5%).

Mi querida Argentina

Roberto Luis Troster - Valor Econômico - 04/09/2009

A Argentina vive momento tão ruim que o Papa Bento XVI disse recentemente que: "a pobreza na Argentina é um escândalo"
Era uma vez um país. Tinha e ainda tem tudo para se desenvolver: terras férteis, minérios, água abundante, fontes de energia, infra-estrutura industrial, bons vizinhos e capital humano. Tem destaques em todas as áreas do saber, alguns com reconhecimento internacional como quatro prêmios Nobel e autores traduzidos ao português. Um gênero publicado é o realismo fantástico, que mostra o absurdo como algo comum e crível.
Paradoxalmente, a realidade atual da Argentina supera a imaginação de seus escritores mais criativos. A cada dia que passa, mais um passo em direção ao desastre. Poder-se-iam escrever livros sobre o desmantelamento de seu futuro e as explicações absurdas. O trágico é que a trama é real e atual. Tudo começou há dois anos, com o que parecia ser a saída de uma crise.
Cristina Fernández de Kirchner assumiu em dezembro de 2007 com credenciais e condições de fazer acontecer. Era uma política conhecida nacionalmente, antes do marido ser candidato a presidente, e fez parte da geração que derrubou o governo militar em 1973, protestou no interregno populista e combateu a ditadura militar que se instalou em março de 1976 onde alguns lutaram até a morte por uma Argentina desenvolvida.
Foi eleita com amplo apoio popular e obteve maioria nas duas câmaras e nos governos provinciais. O país estava crescendo 8% ao ano com reservas folgadas, superávits fiscal e externo e havia a necessidade de correção de rota na condução da economia. Seus desafios eram três: normalizar o relacionamento com as finanças globais; manter o crescimento com investimentos e melhorar a inclusão social; enfim colocar racionalidade na política econômica vigente. Falhou. A bem da verdade, retrocedeu e o que poderia ser o fim de uma crise, se transformou no início de outra.
O default argentino não foi bem recebido no mundo bancário, mas foi visto como mandatório, o país estava num beco sem saída. A troca de papéis antigos por novos foi feita e era esperada uma regularização gradual das relações com o resto do mundo. A melhora nos termos de troca deu a folga de recursos que permitiria uma aproximação da comunidade financeira internacional. A atuação foi diametralmente oposta. O resultado é que os investimentos e empréstimos externos não retornaram e é um dos poucos países com fuga de capitais na atualidade. É difícil de acreditar que esteja acontecendo, considerando seu potencial.
A política econômica populista e míope está encolhendo seu futuro. Um exemplo emblemático é o tratamento dado à agropecuária, que foi um dos propulsores do crescimento na última década; a fertilidade natural dos pampas combinada com as novas tecnologias biológicas e empresariais elevaram sua produtividade a patamares inimagináveis. A atitude do governo foi de matar a galinha dos ovos de ouro com impostos escorchantes e restrições de acesso a mercados. Por primeira vez na história, a Argentina deve importar carne e trigo para consumo interno no ano que vem. A justificativa do governo é a de que combate as oligarquias e os latifúndios, um discurso da década de 1940.
Em outros setores o padrão é parecido: ausência de reformas, aumento da carga tributária e da burocracia. O ambiente macroeconômico se deteriorou rapidamente com a inflação acelerando, gastos públicos crescendo a taxas maiores que as receitas e dólar e desemprego subindo. A solução foi a tentativa de tabelamento de preços, o congelamento de tarifas com subsídios e a intervenção no Indec (o equivalente ao IBGE) acompanhada de denúncias de manipulação de estatísticas. Com números oficiais de crescimento e inflação melhores e credibilidade menor, a tensão com o setor produtivo aumentou e a popularidade do governo despencou.
Nas eleições legislativas de junho último, apenas 30% dos votos foram para candidatos governistas e o índice atual de rejeição à presidenta é de 50%. Surpreendentemente, sua reação foi de acelerar na direção errada. Já que falta pão, investe-se no circo. Com um discurso de que alguns empresários "seqüestram gols" (fazendo um paralelo com a ditadura militar), cancelou os contratos de transmissão de jogos em TV a cabo e fez um patrocínio equivalente a R$ 300 milhões por ano, para que as partidas de futebol sejam transmitidas pelos canais abertos. Mais déficit para gastos que não vão fazer sua popularidade crescer.
A lista de exemplos de falta de racionalidade é extensa. Estatizou-se a Aerolineas Argentinas que tinha um prejuízo diário de menos de R$ 2 milhões, hoje já está em R$ 5 milhões por dia; os que não voam pagam impostos para os passageiros. Tributa-se o jogo em 15% e a agropecuária em até 35%. Estatizou-se a previdência privada com o discurso de proteção a seus mutuários sem um cálculo atuarial e apropriando-se dos fundos agora e repassando os custos para os próximos governos. Resumindo, a economia está em rota de colisão. Já se fala na possibilidade de um novo default. Algo inimaginável há pouco tempo.
É um populismo tão míope que a situação dos pobres piorou. O Papa Bento XVI disse recentemente que: "a pobreza na Argentina é um escândalo". Não se sabe qual é o grau, pois os números do Indec falam em 15% e os da UCA em 39% da população nessa situação. A única certeza é que o casal Kirchner não corre o risco de ser incluído nessa estatística, pois seu patrimônio pessoal aumentou e bem. Não houve falta de racionalidade na condução dos negócios familiares. O ponto é que a verdadeira crise do país fica mais nítida a cada dia.
Se a notícia é ruim, mata-se o mensageiro. Este é o espírito do projeto da lei de radiodifusão que está sendo apresentado no congresso esta semana. A lei limita o número de canais que uma empresa pode ter, determina que apenas um terço seja de empresas privadas e impõe a renovação da licença a cada dois anos (leia-se uma ameaça permanente à liberdade de expressão). A justificativa é a necessidade de desmonopolizar o setor e em memória de 118 jornalistas desaparecidos.
Falta o projeto mais importante, o da Argentina sonhada na virada da década de 1970 também dedicado aos mesmos 118 desaparecidos, bem como aos demais que morreram, às dezenas de milhares que emigraram e aos milhões que moram lá. Um projeto ambicioso, consistente com o potencial de seu país e seu povo. As condições para um final feliz existem.

quarta-feira, julho 15, 2009

Comércio exterior terá cadastro positivo em dois meses

Brasília.

O governo vai criar, até setembro, uma espécie de cadastro positivo no comércio exterior. Trata-se da figura do Operador Econômico Autorizado (OEA), já existente em Japão, Estados Unidos e União Europeia, que receberá tratamento diferenciado dos chamados órgãos anuentes — Receita Federal e ministérios da Saúde, do Meio Ambiente e da Agricultura, entre outros.
Os benefícios incluem simplificação de procedimentos, despacho mais rápido, redução de prazos e prioridade na emissão de licenças, desde que a firma tenha um histórico de regularidade, esteja em dia com suas obrigações tributárias e siga as normas vigentes. O objetivo é desafogar operações de vendas e compras externas equivalentes a nada menos que 60% do fluxo comercial brasileiro (soma das exportações com as importações), ou US$ 75,5 bilhões de um total de US$ 125,9 bilhões, levando em conta o primeiro semestre deste ano. Isso se as cem maiores empresas exportadoras e importadoras aderirem ao regime. — A burocracia é uma das principais queixas de exportadores, importadores e investidores.
Nossa meta é reduzi-la o máximo possível — disse ao GLOBO a secretária-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Lytha Spíndola. Fiscalizações serão feitas por amostragem Segundo Lytha, a adesão ao cadastro será voluntária. A medida beneficiará exportadores, importadores, depositários, despachantes, agentes, transportadores, armazenadores, enfim, todos aqueles que operam o comércio exterior. — O foco são empresas que exportam e importam com certa regularidade, que não têm qualquer interesse em fraudes e que gostariam de colaborar com os órgãos de governo para que a legislação seja respeitada. Em troca, terão procedimentos mais simplificados, mais rápidos, reduzindo o universo daqueles que têm de passar pelo canal vermelho — disse Lytha.
Ela explicou que o conceito do OEA é aprovado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização Internacional de Aduanas. Lytha afirmou ainda que o mecanismo tem um forte componente de segurança nacional, não apenas pela obediência às normas em vigor e o pagamento de tarifas e impostos, mas pelo cumprimento de regras ambientais, sanitárias, fitossanitárias e de segurança. Basicamente, toda carga que entra ou sai do país, que contenha madeira tanto na embalagem como em sua composição — contêineres, na maior parte —, é vistoriada pelo Ministério da Agricultura.
Se o operador da carga assumir compromissos junto ao governo, assegurando que seu material não contém madeira nãotratada (devido ao risco da mosca asiática), por exemplo, terá o mínimo inspecionado. Mas essa liberação não será imediata. Num primeiro momento, esse operador será monitorado, com a fiscalização por amostragem. — A ideia é dar maior fluidez ao fluxo de comércio exterior, dentro da legalidade. Os operadores assumirão termos de compromisso com os órgãos anuentes.
Em caso de descumprimento, a empresa será imediatamente descredenciada — afirmou Lytha. As vantagens para o sistema são diversas, explicou. O combate às fraudes se torna mais eficaz, porque recursos são liberados, e o foco, direcionado para operações de maior risco. — O risco do operador é que vai prevalecer, e não a atenção para cada carga individualizada — explicou.

Fonte : Jornal “O Globo” – edição de 12/07/2009

quinta-feira, abril 02, 2009

Padrão dólar sob risco?

Recentemente, em ensaio disponível na página eletrônica do Banco Popular da China, o Sr. Zhou Xiaochuan, presidente da instituição, enviou uma mensagem significativa à Washington, ao propor uma reforma radical no sistema monetário internacional, na qual uma moeda global deve ser adotada como padrão de reserva de valor em substituição ao dólar. (ver artigo na The Economist sobre o tema)
A verdadeira e principal preocupação chinesa reside na emissão inorgânica de moeda por parte do FED, ou seja, na farra do boi da massiva impressão de dólares pela autoridade monetária estado-unidense. Bem, quanto maior a oferta de um produto menor o seu valor, e, do ponto de vista americano, gerar liquidez na tentativa de reativar a economia interna, e ter seus produtos com preços mais competitivos para exportação faz algum sentido econômico, agora, para a China que possui 2/3 de suas reservas internacionais atreladas ao dólar , isso representa um enorme prejuízo.
Tecnicamente, a sugestão é que a condição do dólar como divisa mundial, deve ser transferido para o SDR (Special Drawing Rights), uma moeda virtual criada pelo FMI em 1969 que tem seu valor determinado pelo peso médio das principais moedas mundiais: euro, iene, libra esterlina e obviamente o próprio dólar. Acontece que, levaria muitos anos para o SDR ser amplamente aceito como meio de troca e reserva de valor, uma vez que seu saldo total hoje é equivalente à apenas USD 32 bilhões, o que representa menos de 2% das reservas internacionais chinesas que são estimadas em 11 USD Trilhões em títulos do tesouro americano. De maneira que me faz considerar as observações do Sr. Xiaochuan falácias de cunho meramente político.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Debate Econômico

Excelente iniciativa do jovem pessoal que administra a Paiffer Investimentos! A cidade de Sorocaba é carente de eventos dessa natureza, e espero que esse tenha sido o primeiro de uma série de saudáveis debates entre os agentes econômicos regionais. Agradeço mais uma vez o convite e reafirmo ter sido um prazer a participação como membro da mesa de debatedores.
.
.

quarta-feira, outubro 22, 2008

Exercício Democrático

Após várias declarações populistas e fora de contexto do presidente Lula, finalmente um acontecimento louvável em tempos de crise. A convite de parlamentares o ministro Guido Mantega e o presidente do Banco Central Henrique Meirelles, compareceram nesta terça-feira em audiência pública na Comissão Geral no Plenário da Câmara, com o intuito de esclarecimento da posição brasileira face ao cenário econômico atual.
Os convidados apresentaram uma postura profissional e um conteúdo tecnicamente competente, infelizmente, de maneira geral, não se pode dizer o mesmo dos nobres deputados.
O ministro Mantega, admitiu, que haverá desaceleração no ritmo de crescimento – atualmente em 6% por trimestre – em razão da falta de liquidez e maior custo do crédito. Em 2008, disse Mantega, o governo manterá a expectativa de crescimento em torno de 5%. Para 2009, a previsão é de que o Brasil cresça entre 4% e 4,5%.
Ele acrescentou que o mercado interno brasileiro tem condições de absorver os impactos da crise no que se refere à queda nas exportações e lembrou as vantagens comparativas do Brasil em relação a outros emergentes no enfrentamento da escassez de crédito.
Em seu pronunciamento, Meirelles previu uma normalização do financiamento às exportações brasileiras: "Houve uma queda de fechamento de contratos de câmbio em função desta crise internacional, mas com os leilões de linha que começaram a ser feitos esta semana espera-se que este suprimento de Adiantamento sobre contrato de Câmbio comece a se normalizar", afirmou.
Na segunda-feira, o BC vendeu US$ 1,6 bilhão em moeda estrangeira vinculada ao financiamento das exportações. Segundo Meirelles, desde 19 de setembro, a autoridade monetária já vendeu outros US$ 3,7 bilhões nos leilões com compromisso de recompra (linha) e US$ 3,2 bilhões no mercado spot, sem recompra. Além disso, deixaram de ser rolados US$ 1,5 bilhão em contratos de swap reverso e foram vendidos outros US$ 12,9 bilhões em contratos de swap, que corresponde a uma venda de dólares no mercado futuro.
Uma nova participação de Meirelles e Mantega no Congresso estava prevista para quarta-feira, em uma audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. A comissão, no entanto, informou que o evento foi adiado, ainda sem nova data, a pedido de Mantega.

Apresentação integral do Ministro Guido Mantega

Apresentação integral do presidente do BC Henrique Meirelles

terça-feira, outubro 07, 2008

Crise nos EUA?


Um dos chavões clássicos no ensino de ciências econônomicas é a piada de que toda resposta de um economista começa com a palavra depende... Sem querer fugir do clichê do neolítico moral, mas isso é o que deveria ser observado de forma empírica (na minha opinião pra quase tudo na vida), e poderia citar incontáveis motivos por ter usado o futuro do pretérito, mas pego apenas um exemplo que é mais que pontual:
Enquanto no epicentro da recessão mundial que se acerca, registrou-se variação negativa de 3,58% do índice dow jones da NYSE, praticamente todas as principais bolsas pelo mundo amargaram perdas muito maiores em termos percentuais, com destaque ao "desmoronamento" russo. Outras quedas significativas do dia: Bovespa, -5,43%; Chile, -4,89%; Israel, -3,03%; Peru, -9,27%; República Tcheca, -8,46% e Turquia, -8,62%.
Muitos economistas-oráculo apregoaram que o mundo não seria mais tão dependente da economia estado-unidense, fato que, me parece se comprovar em vários micro-cosmos da atividade econômica, mas... come on! Afirmar isso, é querer ser mais real que o rei-dólar... Serve de consolo aos colegas clarividentes, que até o competente e por mim muito admirado, professor Eduardo Gianetti da Fonseca, de certa forma também menosprezou o peso da economia americana em súas últimas palestras.
Diante de tal cenário de pânico-independente da sofisticação e volume de negócios-, me impressionou a pequena variação negativa de apenas 0,31% da bolsa da República Bolivariana da Venezuela. Paradoxos do capitalismo...

segunda-feira, setembro 22, 2008

Manso touro.


A região de Wall Street é estranha, e um tanto paradoxal. Paira no ar um sentimento de constante tensão. Pessoas apressadas, sozinhas, ou mesmo em pares, trios, turmas, mas quase nunca conversando entre si, sempre com um interlocutor do outro lado da linha do celular. É patente que coisas muito importantes acontecem naqueles "becos", mas o paradoxo é que por estar geograficamente próxima aos limites de Manhattan, o tráfego da "massa operária" nas imediações é constante e inevitável. Os trabalhadores que viabilizam a ilha ser o que é, precisam transitar por ali para retornar para o Brooklin ou Jersey, transformando a fotografia do local em algo bem contrastante.
Na sexta-feira 12, pré-catástrofe, Wall Street foi invadida por limusines pretas, à hora do rush. Uma reunião de emergência foi convocada para se discutir a complicadíssima situação dos bancos de investimentos Lehman Brothers e Merrill Lynch. A tal reunião era pra ser secreta, mas o mercado em frenesi esperava soluções mágicas das autoridades responsáveis pela organização e cumprimento de regras das instituições. Não houve mágica e os castelos de cartas marcadas ruíram na segunda 15/09. Hank Paulson não liberou a verba para salvar o Lehman...
Num belo artigo da última quinta-feira no Último Segundo, Alberto Dines sugeriu trocar os animais-simbolo da bolsa de NY, o Urso deprimido dos tempos de baixa e o Touro indomável dos tempos de alta, pelo Chimpanzé para coçar a cabeça e pensar.
Estão tentando de tudo para esconder o urso, mas a verdade é que o touro está mansinho, mansinho...

quarta-feira, setembro 17, 2008

Shooting down cancer.

Desde os primórdios das minhas reminiscências ouço falar em câncer, e de finalmente a medicina estar se aproximando de uma possível cura. Nesse intervalo, avó, tios, amigos, pessoas tão queridas se foram, a padecer de alguma variação da doença, deixando a tão dolorosa lacuna que o luto provoca em nossas entranhas. Mais recentemente, por questões óbvias e pessoais, me envolvi mais com o assunto e aprendi muito sobre o tema, da vertente que assegura que células cancerígenas são auto-produzidas(psicossomáticas), à últimas pesquisas com utilização de células-tronco. E é sobre este último a matéria principal da The Economist dessa semana , a propósito muito interessante. Na verdade, novos estudos abrem a possibilidade de que o câncer pode ser formado exatamente por células-tronco (ou algo muito similar) com crescimento desordenado. A reportagem traça um paralelo entre o estágio atual das pesquisas relacionadas ao câncer, com o período do século XIX quando Louis Pasteur e Robert Koch provaram a conexão entre os germes e as infecções, onde se chegou a conclusão que para curar era necessário matar os germes. Infecções e cânceres tem características proeminentes em comum, mas com diferenças intrigantes em seus detalhes. Caso se comprove essa nova teoria de formação dos tumores, certamente haverá uma revolução no tratamento da doença, face ao ritmo crescente do avanço na manipulação de células-tronco e todas suas propriedades.
Outros tópicos interessantes da publicação: - Os desafios de Asif Zardari, o novo presidente do Paquistão eleito no último dia 09; - O papel atual da Ucrânia na Europa e seu delicado relacionamento com a Rússia; - A atuação do secretário do tesouro americano, Hank Paulsen, neste que talvez seja o momento mais crítico da economia americana depois do crash de 29 e a chance de surgimento de uma liderança feminina em Israel: Tzipi Livni.

quarta-feira, julho 02, 2008

Balança comercial no semestre: - 45% de saldo

O saldo da balança comercial (exportações menos importações) em junho chegou a US$ 2,719 bilhões, 28,8% menor do que o registrado no mesmo mês de 2007 (US$ 3,821 bilhões). As exportações no mês passado somaram US$ 18,594 bilhões e as importações, US$ 15,875 bilhões. No acumulado do ano, o superávit comercial é de US$ 11,370 bilhões, com vendas externas no valor de US$ 90,645 bilhões e importações de US$ 79,275 bilhões. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o saldo da balança comercial teve uma redução de 44,74%.O motivo para a redução do saldo comercial é o crescimento das importações em ritmo maior do que das exportações. O dólar mais barato e o aumento da renda dos brasileiros favorecem as importações de produtos. Além disso, as empresas importam máquinas e equipamentos para investir na produção.Às 15h30, o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Welber Barral, concederá entrevista coletiva sobre o resultado da balança comercial em junho.
Fonte: Agência Brasil.

segunda-feira, abril 28, 2008

Concentração de riquezas

O Jornal Sunday Times, divulgou sua lista anual dos indivíduos mais ricos da Grã-Bretanha, e como fato marcante, observo que a soma das fortunas das 1000 pessoas mais ricas da lista, equivale a 412,8 bilhões de libras esterlinas, ou algo em torno de R$ 1,3 Trilhões, ou seja, metade do PIB brasileiro em 2007!!! De fato, impressiona.....
Outra curiosidade da lista é a quantidade de estrangeiros: dos 75 mais ricos, 40 são estrangeiros residentes, e, dentre os 200 mais ricos, constam 2 brasileiros: O dono da Natura, Antonio Luiz Seabra, e a viúva do banqueiro Edmond Safra, Lily Safra, aparecem nas posições 138 e 156 da lista.

segunda-feira, março 24, 2008

Japão obriga empresas a controlar obesidade de funcionários

Em uma tentativa de conter o avanço do número de japoneses acima do peso, o governo do Japão vai obrigar empresas a medirem a circunferência da cintura dos funcionários acima dos 40 anos.A medida, que deve atingir 56 milhões de japoneses, prevê que homens com medidas acima de 85 centímetros e mulheres com mais de 90 centímetros de cintura serão incluídos em um grupo de alto risco. A partir daí especialistas da área de saúde deverão traçar um plano de ação para mudar seus hábitos alimentares e incluir exercícios físicos em sua rotina. Algumas pessoas ainda serão aconselhadas a se tratar com um médico.A medida do governo, que entrará em vigor no mês de abril, ainda prevê que as empresas cortem em 10% o número de funcionários acima do peso até 2012.As companhias que não atingirem a meta terão de aumentar a contribuição para a previdência desses funcionários em 10%.
Colesterol e infarto
Segundo o governo, o objetivo é detectar, ainda nos estágios iniciais, sintomas da síndrome metabólica - um conjunto de fatores de risco que, associados, elevam as chances de se desenvolver doenças cardíacas.Entre os fatores de risco estão obesidade, alimentação inadequada e ao sedentarismo, que pode elevar os níveis do colesterol e causar doenças cardiovasculares, como hipertensão e infarto.No Japão, doenças cardiovasculares são a segunda causa mais comum de mortes - responsáveis por aproximadamente 30% do total -, ficando atrás apenas do câncer. Segundo o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão, 13 milhões de pessoas ou um sexto da população, sofrem de síndrome metabólica e outros 14 milhões estão sob risco de desenvolver a condição. Um estudo realizado pelo órgão, em 2004, estima que o índice é maior em faixas etárias mais elevadas: um de cada dois homens e uma em cada cinco mulheres entre 40 e 74 anos sofreriam da síndrome ou estariam na zona de risco. A medida foi recebida com surpresa por alguns setores da sociedade, já que os japoneses são reconhecidos por sua forma esbelta, hábitos saudáveis e altos índices de longevidade. Nos últimos anos, no entanto, o país vem registrando um aumento nos casos de obesidade e de doenças causadas por maus hábitos alimentares, como a síndrome metabólica.
Padrões
Alguns especialistas temem que a medição compulsória da barriga tenha um efeito contrário ao desejado: um aumento do consumo de remédios e dos gastos com a saúde. Mas para o diretor da Sociedade do Japão para Estudo da Obesidade, Yuji Matsuzawa, a medida é válida e torna o Japão "um dos primeiros países a se dedicarem nacionalmente à prevenção da síndrome metabólica", disse ele ao jornal Asahi. Com os exames de medição da circunferência da cintura , o governo quer controlar os custos do seguro-saúde no Japão, que totalizaram 33,1 trilhões de ienes (R$ 56 bilhões) no ano fiscal de 2005 e tendem a aumentar mais com o avanço da proporção de idosos na população. Uma pessoa é considerada portadora da síndrome metabólica quando a medida da cintura excede o limite estabelecido e o indivíduo apresenta pelo menos dois sintomas, entre os quais pressão alta, índices elevados de mau colesterol ou de gordura e alto teor de açúcar no sangue.O padrão japonês para identificar a doença foi estabelecido em abril de 2005 por um comitê formado por representantes de oito grupos de pesquisadores dedicados a várias especialidades médicas, como diabetes, obesidade e arteriosclerose.
Outros países seguem outros critérios para definir a doença.

Balanço de Pagamentos - Fevereiro/08

BRASÍLIA - O Balanço de Pagamentos do país registrou superávit de US$ 3,645 bilhões em fevereiro deste exercício. No mês, as transações correntes registraram déficit de US$ 2,090 bilhões. A conta de capital e financeira ficou positiva em US$ 3,959 bilhões. A conta de erros e omissões também foi positiva, em US$ 1,776 bilhão.Para efeito de comparação, em fevereiro do ano passado, o Balanço de Pagamentos foi superavitário em US$ 9,264 bilhões, informou o Banco Central (BC).No primeiro bimestre deste calendário, o superávit é de US$ 6,876 bilhões, bem menor do que os US$ 14,841 bilhões de saldo positivo apurado em igual período de 2007.O Balanço de Pagamentos contabiliza a conta de transações correntes (balança comercial, conta de serviços e transferências) e a conta de capital e financeira. Esta última contabiliza também as transferências de patrimônio, além de empréstimos e financiamentos de todas as modalidades, desembolsos de curto, médio e longo prazo e amortizações. Além disso, são descontados erros e omissões do balanço.
(Azelma Rodrigues Valor Online)

quarta-feira, março 12, 2008

PIB 2007

Segundo o resultado apurado pelas Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, o PIB brasileiro em 2007 cresceu 5,4% e chega a R$ 2,6 trilhões.
O resultado do valor adicionado decorreu do desempenho da agropecuária (5,3%), indústria (4,9%) e serviços (4,7%). O crescimento da agropecuária deveu-se principalmente à lavoura, com destaque positivo para trigo (62,3%), algodão herbáceo (33,5%), milho em grão (20,9%), cana (13,2%) e soja (11,1%). Os produtos em queda foram café em grão (-16,7%), arroz em casca (-3,7%) e feijão (-4,4%).
Dentre os subsetores da indústria, a maior alta foi a da indústria da transformação (5,1%), seguida pela construção civil e por eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana, cada um deles com crescimento de 5,0%. A indústria extrativa registrou elevação de 3,0%.
As maiores elevações nos serviços foram nos subsetores intermediação financeira e seguros (13,0%), serviços de informação (8,0%) e comércio (7,6%). Também cresceram transporte, armazenagem e correio (4,8%), serviços imobiliários e aluguel (3,5%), outros serviços (2,3%), administração, saúde e educação pública (0,9%).
Na análise da demanda, a despesa de consumo das famílias teve alta (6,5%) pelo quarto ano consecutivo, favorecida pela elevação de 3,6% da massa salarial 3 dos trabalhadores, em termos reais, e pelo acréscimo nominal de 28,8% no saldo de operações de crédito do sistema financeiro 4 com recursos livres para as pessoas físicas. A despesa do consumo da administração pública cresceu 3,1%, e a formação bruta de capital fixo (FBCF, o mesmo que investimento) também registrou crescimento, de 13,4%, a maior taxa anual desde o início da série, em 1996.
No setor externo, as exportações apresentaram alta de 6,6%, e as importações tiveram elevação de 20,7%. Desde 2006, o crescimento das exportações é inferior ao das importações.

PIB per capita cresceu 4,0% em termos reais, em relação a 2006, atingindo R$ 13.515,00, algo em torno de US$ 7.950,00.



Abaixo, mapa mundial do Pib per Capita em US$:


terça-feira, janeiro 22, 2008

Estabilidade à brasileira



"Não temos ilusão de que o Brasil está imune à crise, mas entendemos que estamos mais preparados."


Quem tem boa memória certamente se recorda das declarações dos senhores Luiz Inácio e Guido Mantega, apregoando valores de total imunidade da economia brasileira à possíveis crises financeiras globais... Esse discurso foi tônico em 2007. E agora??? Onde está aquela certeza incontestável de uma economia "blindada"? Como diria Bob Dylan, blowing in the wind.... Obviamente, quem tem um pouco de conhecimento econômico e senso crítico, sabia que era tudo balela, falácia, conto do vigário. Ontem, Bovespa despencou mais de 6%, hoje bastou uma canetada do Sr. Ben Bernanke reduzindo o juros americanos em 0,75%, que tudo voltou ao normal.... isso é normal??

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Black and proud!


"Conspicuous consumption of valuable goods is a means of reputability to the gentleman of leisure."
Thorstein Veblen



EUA, 1984. Pouco mais de duas décadas após os grandes conflitos raciais, estréia na NBC um seriado no qual todos os protagonistas são negros. The Bill Cosby Show foi um dos maiores sucessos de todos os tempos da televisão norte-americana. Retratava com inteligência e uma verve cômica irretocável, vários aspectos da rotina de uma família negra e de classe média. Pode-se afirmar que, em paralelo ao movimento do Hip Hop que eclodira no início dos anos 80, Bill Cosby (que sempre foi ativo da "causa racial") foi um dos principais responsáveis pelo crescimento do orgulho e visibilidade dos afro-descendentes na sociedade americana desde então. Contudo, grande parte da engajada comunidade negra americana, torce o nariz para Cosby desde seu controvertido discurso numa celebração na NAACP (National Association for the Advance of Colored People)em maio de 2004, onde dentre outras coisas, criticou severamente os irmãos da cor que preferem destinar seus recursos na ostentação visual, em detrimento a um maior investimento em educação e saúde própria ou de sua prole. Mas afinal, esquecendo o cenário dos clipes de rap, o negro americano é realmente mais suscetível a cair nos encantos dos supérfluos artigos de luxo? Utilizando dados de pesquisa de consumo compreendendo o período de 1986-2002, os economistas Kerwian Charles, Erik Hurst (ambos da Universidade de Chicago) e Nikolai Roussanov (Universidade da Pennsylvania), apontam positivamente que sim, negros e hispânicos consomem mais "artigos visuais" (roupas, carros e jóias) que os brancos de renda equivalente. O estudo Conspicuous Consumption and Race, aponta um impressionante delta de 30% a mais na pressão consumista dos negros e hispânicos em relação aos seus pares brancos, contudo, não aborda o tema como algo relativo à uma "fraqueza inerente" (biológica) aos apelos publicitários, mas sim partem para uma vertente mais sociológica, baseados nas teorias sócio-econômicas de Veblen, onde o consumo é sinal de reconhecimento e sucesso financeiro. Como forma de compensar o preconceito e indiferença dos americanos "puros", as minorias precisam encontrar ferramentas para se sentirem mais importantes? Faz sentido.