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quinta-feira, novembro 06, 2008

Obama já assumiu a Casa Branca! No South Park...

Abaixo o trailer do episódio de ontem, cujo título é: "About Last Night",
sobre a noite da vitória de Obama.



EPISÓDIO COMPLETO

terça-feira, novembro 04, 2008

Destino Manifesto.





Pintura de 1872 de John Gast chamada Progresso Americano. É uma representação alegórica do Destino Manifesto. Na cena, uma mulher angelical, algumas vezes identificada como Colúmbia, carregando a luz da "civilização" juntamente a colonizadores americanos, prendendo cabos de telégrafo por onde passa. Há também índios e animais selvagens do oeste "oficialmente" sendo afugentados pela personagem.






Caso as pesquisas de boca-de-urna se comprovem, e nenhuma surpresa como a ocorrida em 2000 no estado da Flórida acontecer, Barack Obama será eleito o novo presidente dos Estados Unidos da América, e torço muito para que isso de fato ocorra. E nessa minha torcida não reside nenhuma expectativa de que Obama seja o paladino de uma nova era, ou pelo fato de ser o primeiro negro a exercer o cargo mais poderoso do mundo, mas basicamente devido a vitória do democrata representar o sepultamento da era Bush, que regrediu 150 anos na história calcando sua base ideológica no chamado Destino Manifesto.
O termo foi criado pelo jornalista Nova Iorquino John L. O'Sullivan em sua revista Democratic Review. Em um ensaio intitulado "Anenexation", no qual exigia dos EUA a admitir a República do Texas na União(coincidentemente estado Natal de George W).
O'Sullivan escreveu:
"Nosso destino manifesto atribuido pela Providência Divina para cobrir o continente para o livre desenvolvimento de nossa raça que se multiplica aos milhões anualmente."
O Texas se tornou um estado norte-americano logo após, mas a frase de O'Sullivan utilizada pela primeira vez atraiu pouca atenção.
Na segunda vez em que utilizou a citação, numa coluna do New York Morning News em fevereiro de 1845, O'Sullivan tratava sobre o avanço das disputas de fronteiras com a Grã-Bretanha, onde afirmou que os Estados Unidos tinham o direito de reivindicar "o Oregon inteiro":

And that claim is by the right of our manifest destiny to overspread and to possess the whole of the continent which Providence has given us for the development of the great experiment of liberty and federated self-government entrusted to us.

Isto é, O'Sullivan acreditava que "Deus" tinha dado aos Estados Unidos a missão de expandir a democracia republicana por toda America do Norte.
Devido a Grã-Bretanha não utilizar-se do Oregon com propósitos de expansão da democracia, acreditava o jornalista, a reinvindicação do território pelos britânicos poderia ser desconsiderada.
O'Sullivan acreditava que o Destino Manifesto era um ideal moral (uma "lei superior") que sobrepunha-se a outras considerações, incluindo leis e acordos internacionais.
Em 1821 o senador por Massachusetts, Edward Everett, demonstrando o pensamento norte-americano sobre os seus vizinhos da América Latina declarou: (sic)..."Nem com todos os tratados que possamos fazer, nem com todo o dinheiro que emprestarmos, poderemos transformar seus Bolívares em Washington"
Quando os norte-americanos referem a si mesmos como americanos somente, nada mais estão do que repetindo a frase mais conhecida do presidente James Monroe, proferida no congresso norte-americano em 1823: "A América para os americanos". À esta linha de pensamento denominou-se Doutrina Monroe, que é seguida até a atualidade.

Em 476, um chefe tribal das florestas do Danúbio, invadiu Roma e fez-se coroar o primeiro rei bárbaro da Itália. Poucos contemporâneos detiveram-se para registrar que expirava o maior império do mundo. Obviamente Obama não é uma representação moderna de Odoacro, tampouco sugiro que seja o fim do império americano, mas é fato notório que os EUA estão enfraquecidos no tabuleiro geopolítico, e com isso vislumbra-se uma tendência saudável de multilateralismo nas relações de poder mundial.

American Dance Contest

quarta-feira, junho 04, 2008

Finalmente Obama!

Pela primeira vez um negro disputará o posto maior da Casa Branca. Liderando a disputa democrata desde fevereiro, encontrou uma dura resistência (com ares quixotescos) na Sra. Clinton, mas após as primárias em Dakota do Sul e Montana não há mais como resistir.
Agora, devem estar negociando como se dará o apoio de Clinton à Obama, uma vez que ela foi muito votada entre a classe operária branca, idosos e mulheres, "classes" valiosas para a volta do partido ao poder. Especula-se numa dobradinha Obama-Clinton, mas penso que isso seja improvável. O convite para ser vice de Barack, até como forma de reverência e respeito, deve ser feito a Hillary, mas apenas se não existir a chance dela aceitar. Afinal, o mote principal da campanha de Obama foi o da mudança, ter um vice com histórico de 8 anos de Casa Branca, seria no mínimo uma sugestão à incoerência. Além disso, existe um aspecto típico da cultura estadounidense que impediria essa coalizão: O delicado mas inevitável debate do americano médio quebrar as barreiras da cor e sexo de uma vez só...
De fato, talvez seja mais produtivo contar com Hillary Clinton como uma forte aliada na bancada do senado.

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Black and proud!


"Conspicuous consumption of valuable goods is a means of reputability to the gentleman of leisure."
Thorstein Veblen



EUA, 1984. Pouco mais de duas décadas após os grandes conflitos raciais, estréia na NBC um seriado no qual todos os protagonistas são negros. The Bill Cosby Show foi um dos maiores sucessos de todos os tempos da televisão norte-americana. Retratava com inteligência e uma verve cômica irretocável, vários aspectos da rotina de uma família negra e de classe média. Pode-se afirmar que, em paralelo ao movimento do Hip Hop que eclodira no início dos anos 80, Bill Cosby (que sempre foi ativo da "causa racial") foi um dos principais responsáveis pelo crescimento do orgulho e visibilidade dos afro-descendentes na sociedade americana desde então. Contudo, grande parte da engajada comunidade negra americana, torce o nariz para Cosby desde seu controvertido discurso numa celebração na NAACP (National Association for the Advance of Colored People)em maio de 2004, onde dentre outras coisas, criticou severamente os irmãos da cor que preferem destinar seus recursos na ostentação visual, em detrimento a um maior investimento em educação e saúde própria ou de sua prole. Mas afinal, esquecendo o cenário dos clipes de rap, o negro americano é realmente mais suscetível a cair nos encantos dos supérfluos artigos de luxo? Utilizando dados de pesquisa de consumo compreendendo o período de 1986-2002, os economistas Kerwian Charles, Erik Hurst (ambos da Universidade de Chicago) e Nikolai Roussanov (Universidade da Pennsylvania), apontam positivamente que sim, negros e hispânicos consomem mais "artigos visuais" (roupas, carros e jóias) que os brancos de renda equivalente. O estudo Conspicuous Consumption and Race, aponta um impressionante delta de 30% a mais na pressão consumista dos negros e hispânicos em relação aos seus pares brancos, contudo, não aborda o tema como algo relativo à uma "fraqueza inerente" (biológica) aos apelos publicitários, mas sim partem para uma vertente mais sociológica, baseados nas teorias sócio-econômicas de Veblen, onde o consumo é sinal de reconhecimento e sucesso financeiro. Como forma de compensar o preconceito e indiferença dos americanos "puros", as minorias precisam encontrar ferramentas para se sentirem mais importantes? Faz sentido.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

McCain and Obama



"The front-runners are enough alike to dislike each other intensely."






A frase acima é de Jacob Weinsberg no artigo The surprising similarities of John McCain and Barack Obama, onde aponta alguns aspectos de similaridades nas biografias dos pré-candidatos à corrida presidencial estado-unidense. Weinsberg defende que tais semelhanças podem justificar o inicial (e surpreendente no caso do democrata) favoritismo nas primárias de cada partido. Nenhum dos dois apresenta características de grande lider carismático, contudo, despontam como os queridinhos da mídia americana. Talvez isso se explique pelo fato de ambos terem em seu histórico a publicação de livros com vieses auto-biográficos, onde a tônica é a narrativa pessoal da saga de transformação de um comportamento irresponsável e egoísta, para a maturidade e consciência da necessidade do comprometimento social. Em tempos de febre por reality shows essa abertura da vida privada de fato parece ser uma boa estratégia, todavia, a cordialidade mútua é improvável que perdure ao longo da disputa.