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sexta-feira, janeiro 29, 2010

Apple desagrada o Fuhrer com o I-Pad

O filme é "A Queda", que narra o final da saga dos aliados em derrubar o 3 Reich de Adolf Hitler. A cena é de quando Hitler é informado da gravidade da situação, pois as tropas aliadas estão cada vez mais próximas de um ataque à  Berlim, e a queda definitiva parece ser iminente. Uma atuação brilhante de Bruno Ganz!
Nesta engraçadíssima montagem, Hitler é informado de algumas limitações do novo produto da Apple, o I-Pad, pelo qual aguardara ansiosamente por tanto tempo...

sexta-feira, setembro 04, 2009

Vizinhos.

Neighbours (1952), foi premiado com o Canadian Film Award (melhor curta), e também com o Oscar de melhor curta-documentário, e assim como em trabalhos pregressos, também teve uma motivação política, como o próprio Norman Mclaren declarou:

"I was inspired to make Neighbours by a stay of almost an year in the People's Republic of China. Although I only saw the beginnings of Mao's revolution, my faith in human nature was reinvigorated by it. Then I came back to Quebec and the Korean War began. (...) I decided to make a really strong film about anti-militarism and against war."

Contudo, a versão vencedora do Oscar não foi a versão original, pois McLaren foi solicitado a retirar a cena em que os homens (vizinhos) atacam e matam a família um do outro.

Durante a guerra do Vietnã, devido às mudanças de posição da status quo, foi solicitado o inverso a McLaren, para que ele restabelece a sequencia original ao produto final.
Abaixo a versão integral:


terça-feira, setembro 01, 2009

Linhas Paralelas =

Já conhecia a dupla canadense Junior Boys, formada por Jeremy Greenspan e Matt Didemus, porém, ignorava a forte influência de Norman McLaren em seu trabalho, como o próprio Greenspan declara:

"Todas as coordenadas de meus interesses e minhas idéias convergiram a Norm McLaren, por alguma razão. Eu estava ouvindo muito dessa música experimental de sintetizador, e ele mesmo foi um inovador completo, criando essas sínteses sonoras que ninguém nunca tinha feito antes"; "...Eu quis usá-lo como uma analogia a tudo que eu queria ser como artista, tudo que pensei ser importante".

O título do terceiro disco da banda, 'Begone Dull Care' é o nome de uma animação de oito minutos do artista (1949), que pintava diretamente sobre o rolo de filme em movimento, e com ranhuras em suas bordas criava curiosas interferências eletrônicas ao rodar a película no projetor.

Abaixo, ótimo vídeo da faixa de abertura 'Paralell Lines', que dentre outras influências, me remeteu sobretudo a Blondie.


sexta-feira, agosto 28, 2009

Pontos.

Há vários anos ouço falar da excelência das obras de Norman McLaren, mas apenas recentemente tive o prazer de assistir aos seus curtas-metragem, e fiquei embasbacado com o vanguardismo impresso em sua arte. McLaren era escocês e se fez notório na década de 1930 na Europa, e na década seguinte fez carreira nos EUA e sobretudo Canadá.

Dots, o curta de animação abaixo, é de 1940 e já é produto americano. Lembrando que, neste período a segunda guerra eclodia na Europa, Roosevelt era presidente nos EUA, Jackie Robinson se destacava por ser o primeiro negro a disputar a liga americana de baseball, e, "E o Vento Levou" estourava nos cinemas.


quarta-feira, julho 29, 2009

Cinema de autor?



"Há 7 elementos cruciais na feitura de um filme, por ordem alfabética: o ator, o câmera, o desenhista de produção, o diretor, o montador, o produtor e o roteirista."






"Peter Benchley lê um artigo de jornal sobre um pescador que capturou um tubarão de 2.500Kg na costa de Long Island, e fica se perguntando o que aconteceria se o tubarão achasse ali um bom lugar para morar. Aí vai e escreve um romance sobre o assunto. Zanuck-Brown compram os direitos de filmagem desse livro. Benchley e Carl Gottlieb o transformam num roteiro. Bill Butler é contratado para fazer a fotografia. Joseph Alves Jr., para o desenho de produção; Verna Fields, para a montagem; e, talvez mais importante do que tudo, Bob Mattey é tirado de sua aposentadoria para construir o monstro. E John Williams compõe aquele que talvez seja seu mais memorável score. Bem, em nome de quê Steven Spielberg pode ser o autor do filme? Mas, quando se fala do filme, fal,a-se de 'Tubarão, de Steven Spielberg'."

Este exemplo de como as coisas funcionam no cinema, talvez seja o cerne principal do livro "Adventures in The Screen Trade" (1984), do escritor e roteirista William Goldman. Alguns podem dizer que escreve em nome de uma causa própria, já que ele próprio é uma grande "vítima" da ditatorial Teoria do Autor, alguns exemplos mais notórios: Butch Cassidy, um filme de George Roy Hill; All the president's Men, um filme de Alan J. Pakula; Marathon Man, um filme de John Schlesinger... Embora Goldman seja roteirista de todos e, como é comum no cinema americano, entrou em cada um desses projetos muito antes do diretor sequer ser escolhido, nunca ficou vinculado ao sucesso da obra final.

Goldman relembra uma entrevista de Godard alguns anos antes, onde admite que ele e Truffaut nunca acreditaram de verdade naquela história do autor, e só a inventaram para chamar atenção sobre si próprios e infernizar a vida dos veteranos do cinema francês, cujo lugar pretendiam ocupar (e de fato ocuparam). Por fim, Goldman lamenta a retumbante vitória da teoria do autor pois já há vários anos jão nem se fala mais nela. Não é mais preciso. Para a mídia e para o público, o diretor é o único e verdadeiro autor, mesmo que estreante e solidamente imaturo.

Leitura essencial para apreciadores da arte cinematográfica.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Qualquer semelhança é mera coincidência...ou não.

Já estava bem interessado em assitir ao "Slumdog Millionaire", não apenas pelos quatro Globos de Ouro que o filme ganhou, mas por considerar cada nova realização de Danny Boyle digna de uma atenção mais cuidadosa. O interesse agora é redobrado devido a anunciada semelhança com a obra-prima de Fernando Meireles. Não acredito que "Slumdog" se aproxime da qualidade de "Cidade", mas desde "Trainspotting", Boyle tem toda minha consideração e respeito.



Trailer:



segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Copying Beethoven

Vez outra acontece de termos agradaveis surpresas em despretensiosas sessões na tv a cabo, e foi o que me ocorreu no último final de semana. Era um completo ignorante sobre a diretora polonesa Anieszka Holland e seu ótimo "Copying Beethoven", nem mesmo sabia que ela também dirigiu o sucesso infantil do começo dos anos 90 "The Secret Garden", talvez pelo fato de ser majoritariamente uma diretora dedicada a produções televisivas.

Nesse caso, trata-se de uma exploração ficcionista da vida de Beethoven em seus ultimos meses de vida trabalhando em sua Nona Sinfonia. Ano de 1824, Beethoven, interpretado pelo competente Ed Harris, está correndo contra o tempo para terminar sua nova sinfonia. Seu último sucesso ja tem alguns anos e o compositor se vê acometido pela surdez, solidão e grandes conflitos interiores. A apresentação pública de sua nova obra se aproxima, de forma a se fazer necessário a contratação de um copista para auxiliá-lo a terminar em tempo o trabalho. Diane Kruger interpreta a jovem estudante de conservatório e aspirante a compositora Anna Holtz, que com o passar do tempo se envolve de maneira visceral com o maestro, passando a compreender o sentimento que sua música permeia.

Eis o ponto alto do filme: Com a impossibilidade de reger a orquestra sem perder a noção do tempo, obviamente pela falta da audição, Bethooven segue o ritmo de sua assistente e conduz brilhantemente sua última sinfonia. É uma cena belíssima, e a primeira entrada do coral de vozes feminina é algo de arrepiar, literalmente!



terça-feira, outubro 14, 2008

Pablo Trapero na Mostra Internacional de SP

"A Argentina é hoje, ao lado da China e da Romênia, o país onde se faz o melhor e mais instigante cinema jovem no mundo. Desde Mundo Grua, Pablo Trapero está à frente desse processo de renovação que entende o cinema como uma forma de expressão essencial. A projeção de uma identidade nacional na tela. Em apenas cinco filmes (Mundo Grua, Do Outro Lado da Lei, Família Rodante, Nascido e Criado, e Leonera), Trapero desenvolveu uma escrita única e pessoal. Seu olhar não julga. Mostra e revela. Não há um plano a mais, uma posição de câmera que não seja necessária em seus filmes. Atores e não-atores, dirigidos com precisão e delicadeza, estão a serviço de um todo. Para Trapero como para Bresson ou Rosselini, fazer cinema é ao mesmo tempo uma questão ética e estética. Tudo parte de um modelo de produção familiar - o cinema como prolongamento da vida. Pablo escreve (ou co-escreve) os roteiros de seus filmes. Martina Guzmán, sua mulher e atriz de seus últimos dois filmes, é quem os produz no quadro da Matanzas Cine, onde jovens diretores como Albertina Carri também desenvolvem seus projetos. É ao mesmo tempo um cinema próximo da realidade e um cinema de invenção constante. Leonera, seu filme mais recente, é um exemplo vivo disso. Um filme de uma extraordinária pertinência, ao mesmo tempo duro e pleno de afeto, que mostra um cineasta no topo de sua forma. No papel principal, Martina Guzmán oferece uma das interpretações mais luminosas dos últimos anos. A retrospectiva que a Mostra Internacional de Cinema propõe da obra de Pablo Trapero chega em boa hora. Ela nos convida a conhecer melhor um dos maiores talentos do cinema de autor contemporâneo."
Walter Salles.

Tive a felicidade e o privilégio de assistir "Nascido e Criado" no Tribeca Film Festival 2007 em NY, com direito a sessão de perguntas e respostas do próprio diretor após a exibição, e, obviamente registrei esse agradável momento...

sábado, setembro 27, 2008

quarta-feira, julho 30, 2008

For Love Of Water

Exibido no Sundance 2008, com algumas premiações em festivais internacionais, o documentário FLOW entrou essa semana no circuito comercial dos EUA e promete causar no mínimo certo incômodo aos ávidos consumidores de Evian e cia. Filmado em 12 países, dirigido pela francesa Irena Salina, o documentário aponta que três ou quatro empresas dominam mais de 90% do mercado mundial de água engarrafada e utilizam-se de práticas criminosas para garantir que o fluxo do suprimento não seja interrompido. Entre outros, acusa o Banco Mundial de "obrigar" vilarejos africanos pobres -mas ricos em água potável- a vender seu bem mais valioso a gigantes do setor como Vivendi, Thames e Suez por valores irrisórios, em troca de assistência da entidade multilateral.
A verdade é que um simples indicador pode contribuir para uma maior relevância do assunto: O preço da gasolina nos EUA atingiu o nível de 4 USD o galão (por volta de R$ 1,70/Litro, bem mais barato dos R$ 2,40 que pagamos em média), e isso causou estremecimento e certo alvoroço na sociedade americana. O preço da quantidade equivalente de Evian engarrafada atinge o nível de USD 6,40, e disso quase ninguém se dá conta.

terça-feira, maio 27, 2008

Sydney Pollack, a life in movies.


Com Tootsie de 1982, Pollack tornou-se um grande player de Hollywood, recebendo 10 indicações ao Oscar daquele ano, inclusive o de melhor filme.

Slideshow do jornal The New York Times em homenagem ao grande cineasta.

segunda-feira, abril 07, 2008

sábado, dezembro 29, 2007

A culpa é do Fidel!



"Se os comunistas têm razão, então eu sou o louco mais solitário em vida. Se eles estão errados, então não há esperança para o mundo."



Jean-Paul Sartre







Esse é um daqueles filmes que lamenta-se quando chega ao fim e que transforma a experiência de ir ao cinema em algo mágico, transcendendo o tempo de permanência na sala de exibição. Alguns diriam que superestimo a obra de estréia da filha de Costa Gravas, Julie, que a exemplo do pai realiza uma película de vertente política, porém com um bom humor e ternura contagiantes, obviamente, algo que só poderia ser fruto do universo feminino.
Dizer que trata-se de uma criação auto-biográfica seria redundante, afinal, qualquer objeto de arte carrega o dna cultural de seu criador, não obstante, é patente que Julie Gravas identificou traços de sua própria infância no livro italiano Tutta Colpa di Fidel, de Domitilla Calamai, no qual o filme é baseado.
A inocência infantil é a chave do êxito intelectual do filme. A protagonista Anna (a excelente Nina Kervel-Bey) de 9 anos, se depara com uma abrupta alteração em sua rotina de vida e quer entender todos os motivos que levaram seus pais ao engajamento da luta política no início dos anos 70. O irmão de Anna, o pequeno François (Benjamin Feuillet), "rouba" algumas cenas e tem uma atuação digna de um prêmio de melhor ator coadjuvante. Completam o núcleo da Familia De La Mesa, o pai espanhol Fernando (Stefano Accorsi), e a mãe Marie(Julie Depardieu, filha de Gerard)
Com muita leveza e um competentíssimo encadeamento, o enredo discorre sobre feminismo e aborto, religião, imigração, maio de 68, ditadura franquista, Vietnã, ascensão e queda de Salvador Allende, de uma maneira livre, não-panfletária e sem nenhum traço maniqueísta. Ironiza sim o sectarismo que permeava o idealismo comunista, como a proibição imposta a Anna em ler Mickey Mouse, um suposto ícone do imperialismo estado-unidense, mas em contra-partida exalta o desabrochar da tolerância e espírito cívico que a convivência com os "camaradas" provocam nas crianças. Emocionante sem ser piegas.
Saindo da sessão ouvi comentários do tipo: "Leve, gostoso, bem Sessão da Tarde".... Para mim um dos melhores filmes do ano, grata surpresa que deve ser assitido em qualquer período do dia. Puro e genuíno entretenimento!