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quinta-feira, abril 02, 2009

Padrão dólar sob risco?

Recentemente, em ensaio disponível na página eletrônica do Banco Popular da China, o Sr. Zhou Xiaochuan, presidente da instituição, enviou uma mensagem significativa à Washington, ao propor uma reforma radical no sistema monetário internacional, na qual uma moeda global deve ser adotada como padrão de reserva de valor em substituição ao dólar. (ver artigo na The Economist sobre o tema)
A verdadeira e principal preocupação chinesa reside na emissão inorgânica de moeda por parte do FED, ou seja, na farra do boi da massiva impressão de dólares pela autoridade monetária estado-unidense. Bem, quanto maior a oferta de um produto menor o seu valor, e, do ponto de vista americano, gerar liquidez na tentativa de reativar a economia interna, e ter seus produtos com preços mais competitivos para exportação faz algum sentido econômico, agora, para a China que possui 2/3 de suas reservas internacionais atreladas ao dólar , isso representa um enorme prejuízo.
Tecnicamente, a sugestão é que a condição do dólar como divisa mundial, deve ser transferido para o SDR (Special Drawing Rights), uma moeda virtual criada pelo FMI em 1969 que tem seu valor determinado pelo peso médio das principais moedas mundiais: euro, iene, libra esterlina e obviamente o próprio dólar. Acontece que, levaria muitos anos para o SDR ser amplamente aceito como meio de troca e reserva de valor, uma vez que seu saldo total hoje é equivalente à apenas USD 32 bilhões, o que representa menos de 2% das reservas internacionais chinesas que são estimadas em 11 USD Trilhões em títulos do tesouro americano. De maneira que me faz considerar as observações do Sr. Xiaochuan falácias de cunho meramente político.

segunda-feira, agosto 04, 2008

One world, one dream. What dream?


"Sport is an unfailing cause of ill-will"
George Orwell.

Praticamente durante meio século vivemos sob os efeitos de uma guerra ideológica entre duas grande potências, que sempre encontraram no esporte um forte eco de sua representação. A supremacia no quadro de medalhas nos jogos olímpicos era pra os EUA e a antiga URSS uma questão de Estado. "Uma guerra sem armas", como diria Orwell. E é exatamente isso o que representa o sucesso dos jogos de Pequim (e da delegação chinesa é claro) para o primeiro ministro Hu Jintao: prioridade máxima do Estado. Tokio em 1964 e Seul em 1988 também celebraram com suas olimpíadas a chegada de um tempo de poderio econômico de seus países, mas nada comparado aos índices da China atual.
Há três décadas o país vem registrando uma média de crescimento do PIB na casa de dois dígitos, crescimento que intensificou-se após a entrada na OMC em 2001, coincidentemente no mesmo ano em que conquistou o direito de sediar os jogos. Mas afinal, hospedar uma olimpíada acelerou o processo de crescimento e modernização da China? Penso que o oposto é verdadeiro.
As forças que operam a modernização e abertura do país são independentes aos jogos. A velocidade com que o país se integrou ao modelo globalizante nas décadas de 80 e 90 culminou com a entrada na OMC no ínicio desta década, sendo efetivada como uma economia de mercado de fato, e, desde então, vem registrando um crescimento contínuo sem precedentes na recente história capitalista. O outro fator crucial é a tecnologia: a popularização da internet e da telefonia móvel promove uma verdadeira revolução cultural na sociedade chinesa. Contrastando com tal cenário, as olímpiadas possibilitam um retrocesso para um viés mais autoritário do partido comunista. O pretexto do risco de terrorismo, legitima um recrudescimento das forças de segurança e do controle da informação pelo governo. Dificuldades na liberação de vistos para estrangeiros, expulsão de milhões de cidadãos chineses de Pequim, supressão de qualquer tipo de manifestação política e fechamento de fábricas, são algumas das medidas arbitrárias e ditatoriais do governo chinês, regredindo 30 anos na história em termos de liberdades individuais, o que sem dúvida tira um pouco o brilho e a beleza do moderno ambiente arquitetônico que o país apresenta ao mundo.

É genuíno e louvável todo esforço e orgulho do povo chinês em sediar os jogos, não obstante, com a perda da ideologia comunista, o partido foca sua base de sustenção no rígido controle político, no crescimento econômico e no apelo nacionalista, e esse último pode ser um perigo. Nacionalismo exacerbado fomenta a competição, e geralmente é necessário eleger um inimigo.