segunda-feira, setembro 22, 2008

Manso touro.


A região de Wall Street é estranha, e um tanto paradoxal. Paira no ar um sentimento de constante tensão. Pessoas apressadas, sozinhas, ou mesmo em pares, trios, turmas, mas quase nunca conversando entre si, sempre com um interlocutor do outro lado da linha do celular. É patente que coisas muito importantes acontecem naqueles "becos", mas o paradoxo é que por estar geograficamente próxima aos limites de Manhattan, o tráfego da "massa operária" nas imediações é constante e inevitável. Os trabalhadores que viabilizam a ilha ser o que é, precisam transitar por ali para retornar para o Brooklin ou Jersey, transformando a fotografia do local em algo bem contrastante.
Na sexta-feira 12, pré-catástrofe, Wall Street foi invadida por limusines pretas, à hora do rush. Uma reunião de emergência foi convocada para se discutir a complicadíssima situação dos bancos de investimentos Lehman Brothers e Merrill Lynch. A tal reunião era pra ser secreta, mas o mercado em frenesi esperava soluções mágicas das autoridades responsáveis pela organização e cumprimento de regras das instituições. Não houve mágica e os castelos de cartas marcadas ruíram na segunda 15/09. Hank Paulson não liberou a verba para salvar o Lehman...
Num belo artigo da última quinta-feira no Último Segundo, Alberto Dines sugeriu trocar os animais-simbolo da bolsa de NY, o Urso deprimido dos tempos de baixa e o Touro indomável dos tempos de alta, pelo Chimpanzé para coçar a cabeça e pensar.
Estão tentando de tudo para esconder o urso, mas a verdade é que o touro está mansinho, mansinho...

quarta-feira, setembro 17, 2008

Shooting down cancer.

Desde os primórdios das minhas reminiscências ouço falar em câncer, e de finalmente a medicina estar se aproximando de uma possível cura. Nesse intervalo, avó, tios, amigos, pessoas tão queridas se foram, a padecer de alguma variação da doença, deixando a tão dolorosa lacuna que o luto provoca em nossas entranhas. Mais recentemente, por questões óbvias e pessoais, me envolvi mais com o assunto e aprendi muito sobre o tema, da vertente que assegura que células cancerígenas são auto-produzidas(psicossomáticas), à últimas pesquisas com utilização de células-tronco. E é sobre este último a matéria principal da The Economist dessa semana , a propósito muito interessante. Na verdade, novos estudos abrem a possibilidade de que o câncer pode ser formado exatamente por células-tronco (ou algo muito similar) com crescimento desordenado. A reportagem traça um paralelo entre o estágio atual das pesquisas relacionadas ao câncer, com o período do século XIX quando Louis Pasteur e Robert Koch provaram a conexão entre os germes e as infecções, onde se chegou a conclusão que para curar era necessário matar os germes. Infecções e cânceres tem características proeminentes em comum, mas com diferenças intrigantes em seus detalhes. Caso se comprove essa nova teoria de formação dos tumores, certamente haverá uma revolução no tratamento da doença, face ao ritmo crescente do avanço na manipulação de células-tronco e todas suas propriedades.
Outros tópicos interessantes da publicação: - Os desafios de Asif Zardari, o novo presidente do Paquistão eleito no último dia 09; - O papel atual da Ucrânia na Europa e seu delicado relacionamento com a Rússia; - A atuação do secretário do tesouro americano, Hank Paulsen, neste que talvez seja o momento mais crítico da economia americana depois do crash de 29 e a chance de surgimento de uma liderança feminina em Israel: Tzipi Livni.

sábado, setembro 13, 2008

Esperanza Spalding

Começo hoje de maneira mais frequente a postar álbuns musicais. Passei toda adolescência e juventude numa cruzada para obter informações sobre música, correndo de sebo em sebo atrás de grandes álbuns antigos e sempre dependendo da viagem de algum amigo para conseguir coisas novas importadas. Sim, parece mentira, mas não, era de fato algo suado, mas como tudo aquilo que é dificil, a cada nova aquisição um grande deleite. Hoje, felizmente temos acesso a tudo on line, é bem verdade que pela facilidade de acesso e abundância de oferta, tudo é efêmero e superficial, transformando a obra artística em algo banal. Enfim, tentarei a partir de agora dar minha contribuição para aumentar a oferta gratuita de música disponível na rede, e inicio essa prazerosa ação com o melhor álbum com o qual me deparei em 2008. Simplesmente excelente!!
Esperanza Spalding canta em 3 idiomas: Inglês; Português, com Ponta de areia de Milton Nascimento e Samba em Prelúdio de Baden Powel e Vinicius de Moraes (esta última apenas voz e baixo!) e Espanhol, uma versão deliciosa do standard Body and Soul. Ela ainda toca o baixo, faz os arranjos e atua como sua própria produtora neste excepcionalmente bem executado e eclético trabalho. E tudo isso com apenas 23 anos!! Garota prodígio? Totalmente. Já trabalhou com nomes como Joe Lovano, Pat Meheny e Patti Austin, e é docente da Berklee College of Music, só isso. Também impressiona a qualidade técnica de seus músicos acompanhantes, com o núcleo da banda sendo formado por: Leo Genovese no piano (admirável!), Jamey Haddad na percussão e o baterista Otis Brown.
Sem dúvida uma obra superlativa!
Disponível aqui para download.

Ficha técnica:
Genre:.............: Jazz
Music Style ......: Vocal, Contemporary, Latin, Post-Bop, Afro-Cuban Jazz
ARTiST...........: Esperanza Spalding
TiTLE..............: Esperanza
LABEL.............: © 2008 Heads Up International * (HUCD 3140)
Release Date....: May 20, 2008
Recorded.........: 2007
Size ................: 113 MB
Playtime ..........: 67:51 min
Quality ...........: mp3 / VBR ~ 230 kbps (fast extreme) / 44,1kHz / Full Stereo

Tracklisting:
1. Ponta De Areia (5:39)
2. I Know You Know (3:46)
3. Fall In (3:57)
4. I Adore You (7:27)
5. Cuerpo Y Alma (Body & Soul) (8:01)
6. She Got To You (4:29)
7. Precious (4:24)
8. Mela (6:57)
9. Love In Time (5:47)
10. Espera (4:40)
11. If That's True (7:33)
12. Samba Em Preludio (5:11)
Credits:
Esperanza Spalding - Vocals And Acoustic Bass
Leo Genovese - Piano, fender rhodes, Wurlitzer (1-11)
Otis Brown - Drums, Background Vocals (1,2,4,5,7,9-11)
Jamey Haddad - Percussion, Bongos, Cymbals, Drums, Triangle, Caxixi, Surdo, Djembe, Ganza, Reco-reco, Shaker, Angklung, Crotale, Hadgini, Chinese Cymbals (1,2,4,6,10)
Donald Harrison - Alto Saxophone (6,11)
Ambrose Akinmusire - Trumpet (8,11)
Horacio "El Negro" Hernández - Drums (4,6,8)
Nińo Josele - Guitar (11)
Gretchen Parlato - Background Vocals (1,4)
Theresa Perez - Background Vocals (4)
Technical Credits: Esperanza Spalding - Arranger, Producer
Martin Walters - Producer, Engineer
Dave Love - Executive Producer
Robert Friedrich - Mastering
Pablo Martin - Engineer
Nińo Josele - Producer

sexta-feira, setembro 12, 2008

Frase do dia.


"Quem dormiu no chão deve lembrar-se disto, impor-se disciplina, sentar-se em cadeiras duras, escrever em tábuas estreitas. Escreverá talvez asperezas, mas é delas que a vida é feita: inútil negá-las, contorná-las, envolvê-las em gaze."


Graciliano Ramos - Memórias do Cárcere

segunda-feira, agosto 04, 2008

One world, one dream. What dream?


"Sport is an unfailing cause of ill-will"
George Orwell.

Praticamente durante meio século vivemos sob os efeitos de uma guerra ideológica entre duas grande potências, que sempre encontraram no esporte um forte eco de sua representação. A supremacia no quadro de medalhas nos jogos olímpicos era pra os EUA e a antiga URSS uma questão de Estado. "Uma guerra sem armas", como diria Orwell. E é exatamente isso o que representa o sucesso dos jogos de Pequim (e da delegação chinesa é claro) para o primeiro ministro Hu Jintao: prioridade máxima do Estado. Tokio em 1964 e Seul em 1988 também celebraram com suas olimpíadas a chegada de um tempo de poderio econômico de seus países, mas nada comparado aos índices da China atual.
Há três décadas o país vem registrando uma média de crescimento do PIB na casa de dois dígitos, crescimento que intensificou-se após a entrada na OMC em 2001, coincidentemente no mesmo ano em que conquistou o direito de sediar os jogos. Mas afinal, hospedar uma olimpíada acelerou o processo de crescimento e modernização da China? Penso que o oposto é verdadeiro.
As forças que operam a modernização e abertura do país são independentes aos jogos. A velocidade com que o país se integrou ao modelo globalizante nas décadas de 80 e 90 culminou com a entrada na OMC no ínicio desta década, sendo efetivada como uma economia de mercado de fato, e, desde então, vem registrando um crescimento contínuo sem precedentes na recente história capitalista. O outro fator crucial é a tecnologia: a popularização da internet e da telefonia móvel promove uma verdadeira revolução cultural na sociedade chinesa. Contrastando com tal cenário, as olímpiadas possibilitam um retrocesso para um viés mais autoritário do partido comunista. O pretexto do risco de terrorismo, legitima um recrudescimento das forças de segurança e do controle da informação pelo governo. Dificuldades na liberação de vistos para estrangeiros, expulsão de milhões de cidadãos chineses de Pequim, supressão de qualquer tipo de manifestação política e fechamento de fábricas, são algumas das medidas arbitrárias e ditatoriais do governo chinês, regredindo 30 anos na história em termos de liberdades individuais, o que sem dúvida tira um pouco o brilho e a beleza do moderno ambiente arquitetônico que o país apresenta ao mundo.

É genuíno e louvável todo esforço e orgulho do povo chinês em sediar os jogos, não obstante, com a perda da ideologia comunista, o partido foca sua base de sustenção no rígido controle político, no crescimento econômico e no apelo nacionalista, e esse último pode ser um perigo. Nacionalismo exacerbado fomenta a competição, e geralmente é necessário eleger um inimigo.


quarta-feira, julho 30, 2008

For Love Of Water

Exibido no Sundance 2008, com algumas premiações em festivais internacionais, o documentário FLOW entrou essa semana no circuito comercial dos EUA e promete causar no mínimo certo incômodo aos ávidos consumidores de Evian e cia. Filmado em 12 países, dirigido pela francesa Irena Salina, o documentário aponta que três ou quatro empresas dominam mais de 90% do mercado mundial de água engarrafada e utilizam-se de práticas criminosas para garantir que o fluxo do suprimento não seja interrompido. Entre outros, acusa o Banco Mundial de "obrigar" vilarejos africanos pobres -mas ricos em água potável- a vender seu bem mais valioso a gigantes do setor como Vivendi, Thames e Suez por valores irrisórios, em troca de assistência da entidade multilateral.
A verdade é que um simples indicador pode contribuir para uma maior relevância do assunto: O preço da gasolina nos EUA atingiu o nível de 4 USD o galão (por volta de R$ 1,70/Litro, bem mais barato dos R$ 2,40 que pagamos em média), e isso causou estremecimento e certo alvoroço na sociedade americana. O preço da quantidade equivalente de Evian engarrafada atinge o nível de USD 6,40, e disso quase ninguém se dá conta.

quinta-feira, julho 17, 2008

O momento do Não de Cobos.

As palavras cruciais de Julio Cobos.

"Es el día más difícil de mi vida. No se por qué el destino me pone en esta situación.
"Vivimos una época muy difícil, el 2001. Yo estaba dirigiendo una facultad y veía como el país se deshilachaba. La gente nos pedía que nos pongamos de acuerdo. Ese era el mensaje. Esta no es la situación de 2001, donde había un gobierno que no había cumplido con las expectativas. Después todos apostamos a consolidar el esfuerzo. Muchos perdieron su trabajo, otros sus ahorros.
"De a poco fuimos recuperando un gran país. Cuando veíamos que este país crecía, un grupo de hombres y mujeres de distintos partidos creímos en lo que llamamos la concertación. Lo hicimos convencidos de que teníamos que aportar entre todos. Sortear las diferencias. Había crisis en los partidos políticos.
"Hoy hemos llegado a un lugar en el que la sociedad se pregunta por qué tenemos que estar distanciados.
"Yo estoy seguro que lo que está pensando la ciudadanía, nuestros hijos, todos, es que salga una solución consensuada. No traerá la solución que todos estaban esperando. Está en mí que el gobierno de la presidenta de los argentinos sea el mejor de todos. Ella delegó la solución de este conflicto en el Congreso. Se avanzó bastante en la Cámara de Diputados.
"En estas circunstancias y en estos días que hemos vividos yo puse como ejemplo algunas cosas que se lograron con el consenso. Por eso fue la idea mía de convocar a los gobernadores, porque fui gobernador de una provincia que permitieron pacificar.
"Yo sé que formo parte del Gobierno y que vengo de otro sector, de otro espacio político y por ahí esto me permite disentir en algunas cosas. Esto es la pluralidad. Estos es actuar de acuerdo a las convicciones que uno tiene. Por eso he hecho todo lo posible. Sabía que este tema iba a llegar aquí al Senado donde están las provincias.
"Si la ciudadanía está esperando, es que de aquí salga algo consensuado. Yo se que está en el ánimo de todos ustedes apostar a ese consenso. Ha habido varios proyectos y ninguno termina de convencer porque no se ha podido unificar en las comisiones.
"A pesar de haber recibidos diferentes actores, uno tiene una responsabilidad institucional en este momento. Tengo que aportar para fortalecer un gobierno y dar la tranquilidad a un pueblo que quiere vivir en paz. Este tema ha llegado a dividir inexplicablemente a la población.
"Quiero pedir que evalúen la posibilidad de un cuarto intermedio para encontrar una solución, que es la que está esperando la ciudadanía. El país está mirandonos. En el sector del oficialismo hay gente que ha pensado distinto, y no por eso debe ser un impedimento para que entendamos el mensaje.
"Yo le pido al bloque del oficialismo que evalúe esta posibilidad y a los sectores de la oposición que evalúen la posibiliad que nos demanda la historia y el país. Nos pide que nos pongamos de acuerdo, que demos la respuesta que el pueblo argentino está esperando. Se los pido en nombre de muchos argentinos que creo están esperando el mayor acuerdo posible para terminar este conflicto y para mirar hacia adelante. Nada más".
No aceptan la propuesta de Cobos
"No creo que esto sea el motivo para poner en riesgo el país, la gobernabilidad, la paz social. Quiero seguir siendo el vicepresidente de todos los argentinos, el compañero de fórmula de todos los argentinos. Vuelvo a decir que es uno de los momentos más difíciles de mi vida. No percibo ningún interés. Estoy expresando que mi convicción, mis sentimientos empujan la decisión, que es muy difícil seguramente.
"La Presidenta de los argentinos nos va entender. Me va a entender. Porque no creo que sirva una ley que no de la solución a este conflicto.
"La historia me juzgará, no se cómo. Pero espero que esto se entienda. Soy un hombre de familia como todos ustedes, con una responsabilidad en este caso.
"No puedo acompañar y esto no significa que esté traicionando. Estoy de acuerdo con mis convicciones. Le pido a la presidenta de los argentinos que tiene la posibilidad de enviar un nuevo proyecto que contemple todo lo que se ha dicho. Que contemple todos los aportes que se han brindado.
"Que la historia me juzgue. Pide perdón si me equivoco. Mi voto no es positivo".

quarta-feira, julho 02, 2008

Balança comercial no semestre: - 45% de saldo

O saldo da balança comercial (exportações menos importações) em junho chegou a US$ 2,719 bilhões, 28,8% menor do que o registrado no mesmo mês de 2007 (US$ 3,821 bilhões). As exportações no mês passado somaram US$ 18,594 bilhões e as importações, US$ 15,875 bilhões. No acumulado do ano, o superávit comercial é de US$ 11,370 bilhões, com vendas externas no valor de US$ 90,645 bilhões e importações de US$ 79,275 bilhões. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o saldo da balança comercial teve uma redução de 44,74%.O motivo para a redução do saldo comercial é o crescimento das importações em ritmo maior do que das exportações. O dólar mais barato e o aumento da renda dos brasileiros favorecem as importações de produtos. Além disso, as empresas importam máquinas e equipamentos para investir na produção.Às 15h30, o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Welber Barral, concederá entrevista coletiva sobre o resultado da balança comercial em junho.
Fonte: Agência Brasil.

quarta-feira, junho 04, 2008

Finalmente Obama!

Pela primeira vez um negro disputará o posto maior da Casa Branca. Liderando a disputa democrata desde fevereiro, encontrou uma dura resistência (com ares quixotescos) na Sra. Clinton, mas após as primárias em Dakota do Sul e Montana não há mais como resistir.
Agora, devem estar negociando como se dará o apoio de Clinton à Obama, uma vez que ela foi muito votada entre a classe operária branca, idosos e mulheres, "classes" valiosas para a volta do partido ao poder. Especula-se numa dobradinha Obama-Clinton, mas penso que isso seja improvável. O convite para ser vice de Barack, até como forma de reverência e respeito, deve ser feito a Hillary, mas apenas se não existir a chance dela aceitar. Afinal, o mote principal da campanha de Obama foi o da mudança, ter um vice com histórico de 8 anos de Casa Branca, seria no mínimo uma sugestão à incoerência. Além disso, existe um aspecto típico da cultura estadounidense que impediria essa coalizão: O delicado mas inevitável debate do americano médio quebrar as barreiras da cor e sexo de uma vez só...
De fato, talvez seja mais produtivo contar com Hillary Clinton como uma forte aliada na bancada do senado.

terça-feira, maio 27, 2008

Sydney Pollack, a life in movies.


Com Tootsie de 1982, Pollack tornou-se um grande player de Hollywood, recebendo 10 indicações ao Oscar daquele ano, inclusive o de melhor filme.

Slideshow do jornal The New York Times em homenagem ao grande cineasta.

domingo, maio 25, 2008

Ocaso por acaso.

Futebol é a verdadeira paixão nacional, esse talvez seja o maior óbvio ululante rodriguiano. Romário, um dos principais jogadores de todos os tempos encerrou a carreira recentemente, sim, é melancólico, todos ficamos chateados por não poder contar mais com a beleza de seu talento nos gramados, mas isso em nada se compara à emoção despertada nesse domingo de outono no hemisfério sul. Na primavera francesa um gigante se retira de cena. Um gênio da raquete direto do país das chuteiras mais uma vez nos comove com a sua simples presença, pois é desse misterioso carisma que ídolos são feitos. É bem verdade que sua ausência dos palcos já vem de certa data, mas existia uma esperança coletiva do retorno do grande artista. Afinal, ídolos são sobre-humanos, quase super-heróis, com poderes especiais sobre os corações e mentes dos pobres mortais. E agora? Quem poderá nos salvar?
Entendo, mas não concordo com os que reclamam da falta de herdeiros da "onda Guga" no tênis nacional. Guga é Pelé, é Maradona, e não vejo ninguém reclamando da falta de "planejamento" dos cartolas do futebol nesse quesito. É óbvio que planejamento e organização são fundamentais para formação de grandes atletas em qualquer esporte, não obstante, não se planeja a formação de deuses do olimpo, pois é exatamente o fator aleatório que os justificam!
Lágrimas pares o esporte só me arrancou quando da tragédia de Ímola... Mas desta feita o luto se restringe às quadras, pois o ídolo nos encanta com sua simples presença, e Guga é craque dentro e fora delas.

quarta-feira, maio 21, 2008

Jeans rules!


Há exatos 135 anos, Levi Strauss e Jacob Davis conseguiram a patente de uma nova calça reforçada com rebites, usada basicamente para o trabalho pesado. Hoje todos tem um modelo no armário. Em celebração ao aniversário da peça mais pop do vestuário global, a Magnum Photos editou um interessante ensaio, com usuários de diversas épocas e estilos. Nem preciso mencionar minha foto favorita...




Volta da CPMF? Panelaço neles!!

Deu no blog do Josias:
Almoço entre líderes governistas onde decidiu-se o seguinte:

1. A bancada governista unirá forças com a oposição para aprovar na Câmara o projeto que regulamenta a chamada emenda 29. Obriga o governo a reforçar o orçamento da Saúde. Reforço escalonado. Que alçará à casa dos R$ 20 bilhões em 2011;

2. Para evitar que Lula vete a nova lei, a tropa governista decidiu providenciar as fontes que proverão a verba extra a ser injetada nas arcas da Saúde;

3. Com o apoio dos líderes de todos os partidos do consórcio que dá suporte legislativo a Lula, será levada a voto uma proposta que ressuscita a CPMF. Em vez de emenda constitucional, mais difícil de aprovar, optou-se pelo projeto de lei complementar;

4. A alíquota do tributo revivido será de 0,10% (a antiga CPMF, derrubada pelo Senado em dezembro de 2007, mordia dos cheques emitidos pelos brasileiros 0,38%). Estima-se que a nova CPMF renderá ao Tesouro uma coleta adicional de cerca de R$ 10 bilhões por ano;

5. Decidiu-se propor também a elevação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos cigarros e das bebidas alcoólicas. A forma e os percentuais serão objeto de novas tratativas. Busca-se uma arrecadação adicional de R$ 1,5 bilhão ao ano;

6. Deliberou-se, por último, que a recriação da CPMF e a majoração do IPI serão votadas concomitante com o projeto da emenda 29. Abandonou-se a idéia de tratar das fontes de verbas para a Saúde no âmbito da reforma tributária.

O almoço em que todas essas decisões foram tomadas ocorreu na casa do líder do PTB, deputado Jovair Arantes (GO). Lá estavam, além do anfitrião, representantes do PMDB, PT, PP, PL e PR. Participou também Henrique Fontana (PT-RS), líder de Lula na Câmara.

"Estamos fechados com essas propostas", diz Fontana. "É a forma de tratar a questão da Saúde de forma responsável."

O blog ouviu o anfitrião Jovair Arantes. “Nós, da base do governo, partimos do óbvio: temos que resolver os problemas da Saúde, que estão se agravando. Vamos votar a emenda 29. Há maioria para aprovar. Então, temos de responder à seguinte pergunta: de onde virá o dinheiro?”

Continue-se ouvindo Jovair: “Não adianta dizer que você vai a Paris três vezes por mês, para beber os melhores vinhos e comer as melhorias comidas, sem definir quem vai pagar a conta. A emenda 29 está do mesmo jeito. Muito bonita, mas não diz de onde tirar o dinheiro.”

Mais Jovair: “Hoje, temos excesso de arrecadação [de tributos]. Mas não há segurança de que esse excesso vai existir amanhã. Portanto, temos de providenciar fontes definitivas para a Saúde.”

Ainda o líder do PTB: “Quando você aumenta a renda na sua casa, usa o dinheiro extra para melhorar a qualidade de vida da família. Compra roupa nova para a mulher, troca de carro, passa a comer o que não comia. No Brasil é a mesma coisa. Os recursos extras que estão entrando vão servir para fazer investimentos outros: o PAC, a infra-estrutura, o saneamento.”

Últimas palavras de Jovair: “Então, decidimos, a base toda unida, fechar questão em torno da aprovação da emenda 29, com projetos em cima dela ou junto com ela, que resolvam o problema do financiamento da Saúde. Não houve divergência. Poucas vezes participei de encontro em que a concordância alcançou esse grau de coesão.”

domingo, maio 18, 2008

Beijo de Judas.

"A perfídia de Judas não era desconhecida para Jesus... (João 13:37). Mas até Jesus ficou maravilhado com a ousadia de um discípulo que traiu o seu mestre com um sinal de afeição."
Então Marina era a mãe do PAS (Plano Amazônia Sustentável)? Criança recém-nascida deveria ficar no colo de sua mãe, e não de um pai "bastardo". Talvez, a entrega da gestão do PAS a Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) tenha sido o fato deflagrante da renúncia da ministra, porém apenas a gota d`água de uma situação que parecia de fato ser insustentável. A toda poderosa Dilma parece ter minado a importância de Marina nas deliberações do segundo mandato de Lula.
O mal-estar entre Marina Silva e Dilma Rousseff (Casa Civil) começou em julho do ano passado, por conta das negociações em torno do edital para as concessões do leilão das usinas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira (RO). Após desentendimentos, o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis) concedeu licença prévia para as hidrelétricas serem construídas, mas estabeleceu uma série de regras.
Para Dilma, o argumento era econômico e técnico: as usinas produzirão 6.450 MW --a maior obra de energia do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Marina argumentava, por outro lado, que as hidrelétricas só podem sair do papel se ficasse constatado que não iriam trazer prejuízos ambientais à região.
Perder prestígio por fazer o trabalho para o qual foi contratada? No mínimo incoerente... Agora, não se sabe se estrategicamente ou não, mas a renúncia foi numa data mais que oportuna em termos de marketing pessoal: Marina deixou o ministério na semana em que a BBC de Londres fazia uma série de programas sobre a Amazônia. Havia 26 jornalistas da rede britânica de rádio e TV no país. Marina deixou o governo na semana em que Angela Merkel, a chanceler da Alemanha, veio se reunir com Lula em Brasília.
Com essa Lulinha Iscariotes não contava.