segunda-feira, março 31, 2008

Veja por Luis Nassif


A cara da Veja, para todos os leitores que freqüentam o portal da revista, é o Blog de Reinaldo Azevedo.
Assista à campanha institucional da revista. Repare nas imagens, mostrando os problemas nacionais, a miséria, as criancinhas, a violência. E confira, na prática, “qual o país” que Veja quer ser.
Uma revista é o que ela publica, não o que a publicidade imagina.
Azevedo foi um jornalista apagado até os 40 anos de idade. Depois, entrou para a revista “Primeira Leitura”, que cerrou as portas quando foi denunciado o esquema de patrocínios políticos que a mantinha.
Foi, então, contratado por Mario Sabino para se tornar o blogueiro da Veja, incumbido dos ataques aos adversários e da bajulação aos aliados e à empresa. Pratica ambos com notável desenvoltura.
Dedica a Sabino temor reverencial. Quando não recebe ordens diretas da direção, procura se antecipar ao que considera ser a opinião da revista.
Às vezes erra e entra em pânico.
Quando Barack Obama despontou nas pesquisas, escreveu comentário preconceituoso contra ele. No final de semana a edição da revista elogiava o candidato. Sua reação foi um e-mail temeroso a Sabino, perguntando das conseqüências do escorregão.
Acalmou-se quando recebeu o “nihil obstat”. Passou recibo no Blog, divulgando o e-mail súplice e a absolvição generosa.
Tenta reproduzir o ideal “yuppie” do grupo, como apregoar que sempre foi bem sucedido (até os 40 anos era jornalista apagado; até dois anos atrás, jornalista desempregado), gostar de uísque escocês e separar parte de suas cinco horas de sono para “fazer amor”. Aprecia quando comentários supostamente assinados por leitores (grande parte dos comentários é de "anônimos", que tanto podem ser leitores quanto o próprio blogueiro) realçam sua inteligência e charme.
Gosta de ser chamado de "meu Rei" e "tio Rei" pelos leitores. Esbanja preconceito contra negros, mulheres, abusa de um linguajar chulo, não tem limites para caluniar ou difamar críticos da revista.
Seu blog participa do circuito de blogs que fazem eco às "denúncias" lançadas pelo lobby de Daniel Dantas.
É reconhecidamente pessoa desequilibrada, com pendores homofóbicos. Tem obsessão por insinuações sexuais contra adversários e é especialmente agressivo com mulheres. Consegue saltar, sem nenhum filtro, da agressão mais escatológica contra os "inimigos" à bajulação mais rasteira às chefias.
Em qualquer publicação, independentemente do porte, seu desequilíbrio seria contido dentro de limites editoriais. Na Veja de Eurípedes-Sabino não só tem autorização para fazer o que quiser -até sugerir "boquetes" ao presidente - como é estimulado a isso.
Graças à falta de discernimento de Eurípedes e Sabino e à pouca importância que ambos - mais a Abril - dedicam ao trabalho de preservação da imagem da revista, Azevedo representa uma espécie de caricatura, a parte mais grotesca do processo de degradação editorial da revista. É um esgoto sem filtro. Todo o seu desequilíbrio é despejado diariamente no Blog e sua atuação festejada por Sabino.
Hoje em dia, junto ao universo crescente dos freqüentadores da Internet, a imagem de Veja tornou-se irremediavelmente ligada à de Azevedo, o "tio Rei". É o exemplo mais acabado do processo de deterioração moral e editorial que tomou conta da revista.

segunda-feira, março 24, 2008

Japão obriga empresas a controlar obesidade de funcionários

Em uma tentativa de conter o avanço do número de japoneses acima do peso, o governo do Japão vai obrigar empresas a medirem a circunferência da cintura dos funcionários acima dos 40 anos.A medida, que deve atingir 56 milhões de japoneses, prevê que homens com medidas acima de 85 centímetros e mulheres com mais de 90 centímetros de cintura serão incluídos em um grupo de alto risco. A partir daí especialistas da área de saúde deverão traçar um plano de ação para mudar seus hábitos alimentares e incluir exercícios físicos em sua rotina. Algumas pessoas ainda serão aconselhadas a se tratar com um médico.A medida do governo, que entrará em vigor no mês de abril, ainda prevê que as empresas cortem em 10% o número de funcionários acima do peso até 2012.As companhias que não atingirem a meta terão de aumentar a contribuição para a previdência desses funcionários em 10%.
Colesterol e infarto
Segundo o governo, o objetivo é detectar, ainda nos estágios iniciais, sintomas da síndrome metabólica - um conjunto de fatores de risco que, associados, elevam as chances de se desenvolver doenças cardíacas.Entre os fatores de risco estão obesidade, alimentação inadequada e ao sedentarismo, que pode elevar os níveis do colesterol e causar doenças cardiovasculares, como hipertensão e infarto.No Japão, doenças cardiovasculares são a segunda causa mais comum de mortes - responsáveis por aproximadamente 30% do total -, ficando atrás apenas do câncer. Segundo o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão, 13 milhões de pessoas ou um sexto da população, sofrem de síndrome metabólica e outros 14 milhões estão sob risco de desenvolver a condição. Um estudo realizado pelo órgão, em 2004, estima que o índice é maior em faixas etárias mais elevadas: um de cada dois homens e uma em cada cinco mulheres entre 40 e 74 anos sofreriam da síndrome ou estariam na zona de risco. A medida foi recebida com surpresa por alguns setores da sociedade, já que os japoneses são reconhecidos por sua forma esbelta, hábitos saudáveis e altos índices de longevidade. Nos últimos anos, no entanto, o país vem registrando um aumento nos casos de obesidade e de doenças causadas por maus hábitos alimentares, como a síndrome metabólica.
Padrões
Alguns especialistas temem que a medição compulsória da barriga tenha um efeito contrário ao desejado: um aumento do consumo de remédios e dos gastos com a saúde. Mas para o diretor da Sociedade do Japão para Estudo da Obesidade, Yuji Matsuzawa, a medida é válida e torna o Japão "um dos primeiros países a se dedicarem nacionalmente à prevenção da síndrome metabólica", disse ele ao jornal Asahi. Com os exames de medição da circunferência da cintura , o governo quer controlar os custos do seguro-saúde no Japão, que totalizaram 33,1 trilhões de ienes (R$ 56 bilhões) no ano fiscal de 2005 e tendem a aumentar mais com o avanço da proporção de idosos na população. Uma pessoa é considerada portadora da síndrome metabólica quando a medida da cintura excede o limite estabelecido e o indivíduo apresenta pelo menos dois sintomas, entre os quais pressão alta, índices elevados de mau colesterol ou de gordura e alto teor de açúcar no sangue.O padrão japonês para identificar a doença foi estabelecido em abril de 2005 por um comitê formado por representantes de oito grupos de pesquisadores dedicados a várias especialidades médicas, como diabetes, obesidade e arteriosclerose.
Outros países seguem outros critérios para definir a doença.

Balanço de Pagamentos - Fevereiro/08

BRASÍLIA - O Balanço de Pagamentos do país registrou superávit de US$ 3,645 bilhões em fevereiro deste exercício. No mês, as transações correntes registraram déficit de US$ 2,090 bilhões. A conta de capital e financeira ficou positiva em US$ 3,959 bilhões. A conta de erros e omissões também foi positiva, em US$ 1,776 bilhão.Para efeito de comparação, em fevereiro do ano passado, o Balanço de Pagamentos foi superavitário em US$ 9,264 bilhões, informou o Banco Central (BC).No primeiro bimestre deste calendário, o superávit é de US$ 6,876 bilhões, bem menor do que os US$ 14,841 bilhões de saldo positivo apurado em igual período de 2007.O Balanço de Pagamentos contabiliza a conta de transações correntes (balança comercial, conta de serviços e transferências) e a conta de capital e financeira. Esta última contabiliza também as transferências de patrimônio, além de empréstimos e financiamentos de todas as modalidades, desembolsos de curto, médio e longo prazo e amortizações. Além disso, são descontados erros e omissões do balanço.
(Azelma Rodrigues Valor Online)

quarta-feira, março 12, 2008

PIB 2007

Segundo o resultado apurado pelas Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, o PIB brasileiro em 2007 cresceu 5,4% e chega a R$ 2,6 trilhões.
O resultado do valor adicionado decorreu do desempenho da agropecuária (5,3%), indústria (4,9%) e serviços (4,7%). O crescimento da agropecuária deveu-se principalmente à lavoura, com destaque positivo para trigo (62,3%), algodão herbáceo (33,5%), milho em grão (20,9%), cana (13,2%) e soja (11,1%). Os produtos em queda foram café em grão (-16,7%), arroz em casca (-3,7%) e feijão (-4,4%).
Dentre os subsetores da indústria, a maior alta foi a da indústria da transformação (5,1%), seguida pela construção civil e por eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana, cada um deles com crescimento de 5,0%. A indústria extrativa registrou elevação de 3,0%.
As maiores elevações nos serviços foram nos subsetores intermediação financeira e seguros (13,0%), serviços de informação (8,0%) e comércio (7,6%). Também cresceram transporte, armazenagem e correio (4,8%), serviços imobiliários e aluguel (3,5%), outros serviços (2,3%), administração, saúde e educação pública (0,9%).
Na análise da demanda, a despesa de consumo das famílias teve alta (6,5%) pelo quarto ano consecutivo, favorecida pela elevação de 3,6% da massa salarial 3 dos trabalhadores, em termos reais, e pelo acréscimo nominal de 28,8% no saldo de operações de crédito do sistema financeiro 4 com recursos livres para as pessoas físicas. A despesa do consumo da administração pública cresceu 3,1%, e a formação bruta de capital fixo (FBCF, o mesmo que investimento) também registrou crescimento, de 13,4%, a maior taxa anual desde o início da série, em 1996.
No setor externo, as exportações apresentaram alta de 6,6%, e as importações tiveram elevação de 20,7%. Desde 2006, o crescimento das exportações é inferior ao das importações.

PIB per capita cresceu 4,0% em termos reais, em relação a 2006, atingindo R$ 13.515,00, algo em torno de US$ 7.950,00.



Abaixo, mapa mundial do Pib per Capita em US$:


quarta-feira, março 05, 2008

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

18.02.2008: A day in history...


Mensaje del Comandante en Jefe
Queridos compatriotas:

Les prometí el pasado viernes 15 de febrero que en la próxima reflexión abordaría un tema de interés para muchos compatriotas. La misma adquiere esta vez forma de mensaje.

Ha llegado el momento de postular y elegir al Consejo de Estado, su Presidente, Vicepresidentes y Secretario.

Desempeñé el honroso cargo de Presidente a lo largo de muchos años. El 15 de febrero de 1976 se aprobó la Constitución Socialista por voto libre, directo y secreto de más del 95% de los ciudadanos con derecho a votar. La primera Asamblea Nacional se constituyó el 2 de diciembre de ese año y eligió el Consejo de Estado y su Presidencia. Antes había ejercido el cargo de Primer Ministro durante casi 18 años. Siempre dispuse de las prerrogativas necesarias para llevar adelante la obra revolucionaria con el apoyo de la inmensa mayoría del pueblo.

Conociendo mi estado crítico de salud, muchos en el exterior pensaban que la renuncia provisional al cargo de Presidente del Consejo de Estado el 31 de julio de 2006, que dejé en manos del Primer Vicepresidente, Raúl Castro Ruz, era definitiva. El propio Raúl, quien adicionalmente ocupa el cargo de Ministro de las F.A.R. por méritos personales, y los demás compañeros de la dirección del Partido y el Estado, fueron renuentes a considerarme apartado de mis cargos a pesar de mi estado precario de salud.

Era incómoda mi posición frente a un adversario que hizo todo lo imaginable por deshacerse de mí y en nada me agradaba complacerlo.

Más adelante pude alcanzar de nuevo el dominio total de mi mente, la posibilidad de leer y meditar mucho, obligado por el reposo. Me acompañaban las fuerzas físicas suficientes para escribir largas horas, las que compartía con la rehabilitación y los programas pertinentes de recuperación. Un elemental sentido común me indicaba que esa actividad estaba a mi alcance. Por otro lado me preocupó siempre, al hablar de mi salud, evitar ilusiones que en el caso de un desenlace adverso, traerían noticias traumáticas a nuestro pueblo en medio de la batalla. Prepararlo para mi ausencia, sicológica y políticamente, era mi primera obligación después de tantos años de lucha. Nunca dejé de señalar que se trataba de una recuperación "no exenta de riesgos".

Mi deseo fue siempre cumplir el deber hasta el último aliento. Es lo que puedo ofrecer.

A mis entrañables compatriotas, que me hicieron el inmenso honor de elegirme en días recientes como miembro del Parlamento, en cuyo seno se deben adoptar acuerdos importantes para el destino de nuestra Revolución, les comunico que no aspiraré ni aceptaré- repito- no aspiraré ni aceptaré, el cargo de Presidente del Consejo de Estado y Comandante en Jefe.

En breves cartas dirigidas a Randy Alonso, Director del programa Mesa Redonda de la Televisión Nacional, que a solicitud mía fueron divulgadas, se incluían discretamente elementos de este mensaje que hoy escribo, y ni siquiera el destinatario de las misivas conocía mi propósito. Tenía confianza en Randy porque lo conocí bien cuando era estudiante universitario de Periodismo, y me reunía casi todas las semanas con los representantes principales de los estudiantes universitarios, de lo que ya era conocido como el interior del país, en la biblioteca de la amplia casa de Kohly, donde se albergaban. Hoy todo el país es una inmensa Universidad.

Párrafos seleccionados de la carta enviada a Randy el 17 de diciembre de 2007:

"Mi más profunda convicción es que las respuestas a los problemas actuales de la sociedad cubana, que posee un promedio educacional cercano a 12 grados, casi un millón de graduados universitarios y la posibilidad real de estudio para sus ciudadanos sin discriminación alguna, requieren más variantes de respuesta para cada problema concreto que las contenidas en un tablero de ajedrez. Ni un solo detalle se puede ignorar, y no se trata de un camino fácil, si es que la inteligencia del ser humano en una sociedad revolucionaria ha de prevalecer sobre sus instintos.

"Mi deber elemental no es aferrarme a cargos, ni mucho menos obstruir el paso a personas más jóvenes, sino aportar experiencias e ideas cuyo modesto valor proviene de la época excepcional que me tocó vivir.

"Pienso como Niemeyer que hay que ser consecuente hasta el final."

Carta del 8 de enero de 2008:

"...Soy decidido partidario del voto unido (un principio que preserva el mérito ignorado). Fue lo que nos permitió evitar las tendencias a copiar lo que venía de los países del antiguo campo socialista, entre ellas el retrato de un candidato único, tan solitario como a la vez tan solidario con Cuba. Respeto mucho aquel primer intento de construir el socialismo, gracias al cual pudimos continuar el camino escogido."

"Tenía muy presente que toda la gloria del mundo cabe en un grano de maíz", reiteraba en aquella carta.

Traicionaría por tanto mi conciencia ocupar una responsabilidad que requiere movilidad y entrega total que no estoy en condiciones físicas de ofrecer. Lo explico sin dramatismo.

Afortunadamente nuestro proceso cuenta todavía con cuadros de la vieja guardia, junto a otros que eran muy jóvenes cuando se inició la primera etapa de la Revolución. Algunos casi niños se incorporaron a los combatientes de las montañas y después, con su heroísmo y sus misiones internacionalistas, llenaron de gloria al país. Cuentan con la autoridad y la experiencia para garantizar el reemplazo. Dispone igualmente nuestro proceso de la generación intermedia que aprendió junto a nosotros los elementos del complejo y casi inaccesible arte de organizar y dirigir una revolución.

El camino siempre será difícil y requerirá el esfuerzo inteligente de todos. Desconfío de las sendas aparentemente fáciles de la apologética, o la autoflagelación como antítesis. Prepararse siempre para la peor de las variantes. Ser tan prudentes en el éxito como firmes en la adversidad es un principio que no puede olvidarse. El adversario a derrotar es sumamente fuerte, pero lo hemos mantenido a raya durante medio siglo.

No me despido de ustedes. Deseo solo combatir como un soldado de las ideas. Seguiré escribiendo bajo el título "Reflexiones del compañero Fidel" . Será un arma más del arsenal con la cual se podrá contar. Tal vez mi voz se escuche. Seré cuidadoso.

Gracias



Fidel Castro Ruz

18 de febrero de 2008

5 y 30 p.m.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

quarta-feira, janeiro 30, 2008

terça-feira, janeiro 22, 2008

Estabilidade à brasileira



"Não temos ilusão de que o Brasil está imune à crise, mas entendemos que estamos mais preparados."


Quem tem boa memória certamente se recorda das declarações dos senhores Luiz Inácio e Guido Mantega, apregoando valores de total imunidade da economia brasileira à possíveis crises financeiras globais... Esse discurso foi tônico em 2007. E agora??? Onde está aquela certeza incontestável de uma economia "blindada"? Como diria Bob Dylan, blowing in the wind.... Obviamente, quem tem um pouco de conhecimento econômico e senso crítico, sabia que era tudo balela, falácia, conto do vigário. Ontem, Bovespa despencou mais de 6%, hoje bastou uma canetada do Sr. Ben Bernanke reduzindo o juros americanos em 0,75%, que tudo voltou ao normal.... isso é normal??

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Masp!

SOS Masp. Apelo aos Poderes Públicos http://www.sosmasp.com.br/

Após 20 dias de circulação entre emails e 10 dias em rede (3 de janeiro), esse documento colheu mais de 2600 assinaturas. Sempre aberto a novas subscrições, ele continua crescendo a passos largos.

Até hoje, dia 12 de Janeiro de 2008, a direção do Masp não emitiu qualquer sinal de abertura para negociações com o poder público. Ao contrário, vem reiterando na imprensa escrita e no rádio seu entendimento de que o Masp pode e deve manter-se sob seu controle.

Entretanto, a recuperação pela polícia do Picasso e do Portinari furtados não pôs fim nem às inquietações manifestadas quanto ao presente e ao futuro do Masp, nem levou a qualquer progresso na solução dos problemas de insolvência e de gestão do Museu. Poucos hoje duvidam do caráter estrutural de tais problemas, uma vez que radicam no estatuto jurídico da instituição: como associação de direito privado, o Masp está naturalmente impedido de usufruir de recursos expressivos e contínuos oriundos do erário, imprescindíveis para que cumpra plenamente sua função educadora.

Sem excessivo otimismo, parecem hoje reais as chances de um desbloqueio muito favorável da situação. Não é nem mesmo de se descartar uma rápida evolução tendente ao ótimo, com redefinição tanto do estatuto jurídico do Museu, quanto de seu modelo de gestão.

O abaixo-assinado SOS Masp já foi comunicado à Promotora Dra. Mariza Schiavo Tucunduva e será entregue oportunamente também ao Governador e ao Prefeito.

Para manter a pressão da opinião pública pelo advento de uma nova fase na história do Masp, é essencial que a lista de assinaturas do documento SOS Masp. Apelo aos Poderes Públicos não perca seu ritmo de crescimento.

Peço-lhes, assim, que continuem a divulgar o site, promovendo o fortalecimento do documento através de novas assinaturas. O cadastramento da assinatura em uma das três listas disponíveis é feito direta e automaticamente no próprio site (no item: cadastre-se)


ESCLARECIMENTO:
O documento não advoga que se confie a gestão do Masp à administração direta do Estado, mas sim que se estatize seu acervo e que se adote para o Museu, respeitadas obviamente suas peculiaridades, um modelo de gestão compartilhada entre o Estado e uma OS (Organização Social), nos termos da lei que vem sendo aplicada com êxito na Pinacoteca do Estado e na OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado), entre outras instituições culturais.

A esse respeito, o jornal O Estado de São Paulo publicou no domingo passado o seguinte texto, por mim redigido, em resposta à seguinte questão:

A gestão do Masp deve ser de responsabilidade do poder público?

A discussão sobre a substantiva redefinição institucional que, cedo ou tarde, o Masp, o Estado e a sociedade terão de enfrentar, supõe distinguir, claramente, estatuto jurídico e modelo de gestão. Vale lembrar que, em 1957, recursos estatais saldaram mais da metade da dívida contraída para a aquisição do acervo. Sem eles, o Masp teria sido um sonho, interrompido por um brutal seqüestro judicial em Nova York. O Estado brasileiro é, moralmente, ao menos co-proprietário da pinacoteca de arte européia do Masp. A estatização do acervo nada teria, portanto, de arbitrária. Quanto à gestão, ninguém em sã consciência advogaria a administração direta do Estado. A fórmula que prevalece hoje é a gestão compartilhada com uma Organização Social ( O.S.) credenciada. O essencial é, de um lado, assegurar a autonomia, a agilidade e a proficiência do curador do Museu, assessorado e legitimado por um conselho científico e administrativo; de outro, garantir o fluxo de recursos e a vigilância de parte dos poderes públicos.

No documento SOS Masp, esta mesma idéia se explicita quando se afirma que o modelo de gestão proposto para o Masp deve ser redefinido à imagem e semelhança do que prevalece na Pinacoteca e na OSESP, entre outras instituições.

Certo de contar com sua renovada colaboração na divulgação desse abaixo-assinado, envio minhas

Cordiais saudações,


Luiz Marques
http://www.sosmasp.com.br/

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Black and proud!


"Conspicuous consumption of valuable goods is a means of reputability to the gentleman of leisure."
Thorstein Veblen



EUA, 1984. Pouco mais de duas décadas após os grandes conflitos raciais, estréia na NBC um seriado no qual todos os protagonistas são negros. The Bill Cosby Show foi um dos maiores sucessos de todos os tempos da televisão norte-americana. Retratava com inteligência e uma verve cômica irretocável, vários aspectos da rotina de uma família negra e de classe média. Pode-se afirmar que, em paralelo ao movimento do Hip Hop que eclodira no início dos anos 80, Bill Cosby (que sempre foi ativo da "causa racial") foi um dos principais responsáveis pelo crescimento do orgulho e visibilidade dos afro-descendentes na sociedade americana desde então. Contudo, grande parte da engajada comunidade negra americana, torce o nariz para Cosby desde seu controvertido discurso numa celebração na NAACP (National Association for the Advance of Colored People)em maio de 2004, onde dentre outras coisas, criticou severamente os irmãos da cor que preferem destinar seus recursos na ostentação visual, em detrimento a um maior investimento em educação e saúde própria ou de sua prole. Mas afinal, esquecendo o cenário dos clipes de rap, o negro americano é realmente mais suscetível a cair nos encantos dos supérfluos artigos de luxo? Utilizando dados de pesquisa de consumo compreendendo o período de 1986-2002, os economistas Kerwian Charles, Erik Hurst (ambos da Universidade de Chicago) e Nikolai Roussanov (Universidade da Pennsylvania), apontam positivamente que sim, negros e hispânicos consomem mais "artigos visuais" (roupas, carros e jóias) que os brancos de renda equivalente. O estudo Conspicuous Consumption and Race, aponta um impressionante delta de 30% a mais na pressão consumista dos negros e hispânicos em relação aos seus pares brancos, contudo, não aborda o tema como algo relativo à uma "fraqueza inerente" (biológica) aos apelos publicitários, mas sim partem para uma vertente mais sociológica, baseados nas teorias sócio-econômicas de Veblen, onde o consumo é sinal de reconhecimento e sucesso financeiro. Como forma de compensar o preconceito e indiferença dos americanos "puros", as minorias precisam encontrar ferramentas para se sentirem mais importantes? Faz sentido.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

McCain and Obama



"The front-runners are enough alike to dislike each other intensely."






A frase acima é de Jacob Weinsberg no artigo The surprising similarities of John McCain and Barack Obama, onde aponta alguns aspectos de similaridades nas biografias dos pré-candidatos à corrida presidencial estado-unidense. Weinsberg defende que tais semelhanças podem justificar o inicial (e surpreendente no caso do democrata) favoritismo nas primárias de cada partido. Nenhum dos dois apresenta características de grande lider carismático, contudo, despontam como os queridinhos da mídia americana. Talvez isso se explique pelo fato de ambos terem em seu histórico a publicação de livros com vieses auto-biográficos, onde a tônica é a narrativa pessoal da saga de transformação de um comportamento irresponsável e egoísta, para a maturidade e consciência da necessidade do comprometimento social. Em tempos de febre por reality shows essa abertura da vida privada de fato parece ser uma boa estratégia, todavia, a cordialidade mútua é improvável que perdure ao longo da disputa.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Ressaca??


Bem, acabaram-se as festas e, como sequelas da dezembrite (doença crônica paralisante), vivemos a já conhecida depressão-da-primeira-quinzena... Contudo, especialistas alertam que face à proximidade do carnaval, existe o risco da depressão se transmutar em janeirite culminando na febre-de-cinzas... Afinal, Março é logo ali...
*A foto acima foi clicada na virada de 1983-84 em Londres e faz parte de um belo ensaio da Magnum Photographers, exibida na revista slate, retratando o ritual do Reveillon em várias partes do mundo e em épocas distintas.

sábado, dezembro 29, 2007

A culpa é do Fidel!



"Se os comunistas têm razão, então eu sou o louco mais solitário em vida. Se eles estão errados, então não há esperança para o mundo."



Jean-Paul Sartre







Esse é um daqueles filmes que lamenta-se quando chega ao fim e que transforma a experiência de ir ao cinema em algo mágico, transcendendo o tempo de permanência na sala de exibição. Alguns diriam que superestimo a obra de estréia da filha de Costa Gravas, Julie, que a exemplo do pai realiza uma película de vertente política, porém com um bom humor e ternura contagiantes, obviamente, algo que só poderia ser fruto do universo feminino.
Dizer que trata-se de uma criação auto-biográfica seria redundante, afinal, qualquer objeto de arte carrega o dna cultural de seu criador, não obstante, é patente que Julie Gravas identificou traços de sua própria infância no livro italiano Tutta Colpa di Fidel, de Domitilla Calamai, no qual o filme é baseado.
A inocência infantil é a chave do êxito intelectual do filme. A protagonista Anna (a excelente Nina Kervel-Bey) de 9 anos, se depara com uma abrupta alteração em sua rotina de vida e quer entender todos os motivos que levaram seus pais ao engajamento da luta política no início dos anos 70. O irmão de Anna, o pequeno François (Benjamin Feuillet), "rouba" algumas cenas e tem uma atuação digna de um prêmio de melhor ator coadjuvante. Completam o núcleo da Familia De La Mesa, o pai espanhol Fernando (Stefano Accorsi), e a mãe Marie(Julie Depardieu, filha de Gerard)
Com muita leveza e um competentíssimo encadeamento, o enredo discorre sobre feminismo e aborto, religião, imigração, maio de 68, ditadura franquista, Vietnã, ascensão e queda de Salvador Allende, de uma maneira livre, não-panfletária e sem nenhum traço maniqueísta. Ironiza sim o sectarismo que permeava o idealismo comunista, como a proibição imposta a Anna em ler Mickey Mouse, um suposto ícone do imperialismo estado-unidense, mas em contra-partida exalta o desabrochar da tolerância e espírito cívico que a convivência com os "camaradas" provocam nas crianças. Emocionante sem ser piegas.
Saindo da sessão ouvi comentários do tipo: "Leve, gostoso, bem Sessão da Tarde".... Para mim um dos melhores filmes do ano, grata surpresa que deve ser assitido em qualquer período do dia. Puro e genuíno entretenimento!


sexta-feira, dezembro 14, 2007

Céu em desespero


Heitor dirigia a esmo, sem rumo, errante. Tudo igual, nada de novo, tudo velho, nada de diferente. As ruas as mesmas, mas a visão embaçada pela alma doída as deixavam ainda mais melancólicas e opacas. Sexta-feira, começo de noite, toda a gente entusiasmada com a liberdade condicional do final de semana. Cidade industrial é isso: previsibilidade. Sentia ódio daquilo tudo? Não, pelo contrário, tudo o que mais queria era poder participar da “cervejada” no bar da esquina, comendo churrasquinho e debatendo, dissecando, revivendo, testemunhando todas as desventuras semanais que a vida na fábrica impõe aos seus detentos. Sim, preferia esse exercício de masoquismo a estar em sua condição de momento. A brincadeira da criança no carro da frente potencializava seu sofrimento... Enquanto o pai impaciente parecia repreender o filho por sua travessa inocência no banco traseiro, sentia um misto de nostalgia e angústia, afinal, agora já não tinha certeza se conseguiria cumprir sua função biológica nesta existência, uma disfunção genética a evitar sua participação na perpetuação da espécie.
É preciso ser forte, ponderava, tinha que se adaptar, organizar as idéias, era só nisso que queria pensar, mas pensamento tem vida própria, e o propósito de sua existência é desorganizar. Na verdade estava cansado de ser forte, queria fraquejar, cair sem culpa, desabar em pranto, e o quanto ainda desabaria fortalecê-lo-ia. Mas agora só se fazia lembrar da médica boçal e seu diagnóstico: -não queria dizer isso, mas... infelizmente é uma massa...; -Massa? Como assim?; Por quê aquela falta de coragem para encará-lo? Por quê tirar os óculos e abaixar a cabeça daquela maneira grave? Por quê o tom pesaroso? Por quê não tratar aquilo - massa, tumor, seja o que for- com naturalidade?? Por quê? Por quê? Por quê? Por quê com ele afinal??
Percebia agora que pouco se conhecia, na verdade, conhecemos mais sobre o mundo físico que nos cerca do que sobre nós mesmos. Na distância que separa a retórica da ação existem mais variáveis do que sonha nosso incipiente autoconhecimento. Sabia que não havia a menor razão de ser auto-piedoso e fatalista, mas a constatação da fragilidade da condição humana o empurrava para esse precipício comportamental. O homem seguro e racional que era de sua habitual característica via-se agora como persona non grata na sombra de sua projeção.
Paradoxalmente, completamente alheia à sua tormenta espiritual, a primavera produzira um dia calmo, lindo, exuberante, e seu crepúsculo exibia um céu pintado de laranja e roxo, evocando um desejo obsessivo de vida. Ouvindo o canto final da passarada, observando a agitação alegre nas ruas e mirando o horizonte, pensou em voz alta parte de um poema recém descoberto:

”na direção de Botafogo
as pedras e as nuvens e as árvores
no vento
mostravam alegremente
que não dependem de nós"*


*Parte de poema de Ferreira Gullar escrito quando da morte de Clarice Lispector